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Bjork e Gondry, juntos novamente

26/07/2011

Duplinha imbatível do mundo videoclíptico, a islandesa Bjork e o francês Michel Gondry estão juntos em mais uma produção: é o clipe de “Crystalline”, primeiro single do novo álbum da cantora, prometido para chegar ao mercado no final de setembro, segundo a Pitchfork.  Em matéria de esquisitice genial, realmente, eles são difíceis de superar. Não sou fanzoca da Bjork, mas admiro seu trabalho. E, perdoem a limitação, mas sou incapaz de analisar sua música de um jeito mais racional. A mulher parece mesmo de outro planeta. O fato é que o som é BEM bom.

Já do Gondry, vocês sabem, sou tiete. No vídeo de “Crystalline”, ele usa várias de suas marcas registradas, como a pegada lúdica e o uso de recursos visuais para marcar o tempo da canção, suas batidas ou instrumentos. Coisa fina. Já escrevi sobre outras parcerias da dupla aqui. E o clipe segue aí embaixo.

Infância: uma visão arcadefireana

31/08/2010

Olha, não quero me gabar, mas parece que Win Butler e a galera do Arcade Fire têm uma relação telepática comigo. Depois de escrever sobre Google Maps e música alguns posts abaixo, hoje vi que eles resolveram levar essa mistura a um nível totalmente superior. Para desenvolver o clipe de “We used to wait“, a banda criou o projeto “The wilderness downtown“, onde cenas gravadas por eles se juntam a imagens geradas pelo Google Maps a partir do endereço que você escolher no início. É uma pena que, aqui no Brasil, ainda não tenhamos uma cobertura bacana do Google Street View, o que limita um pouco a “criação” do clipe. Mas a música é incrível e a experiência, verdadeiramente emocionante. Coisas que só o Arcade Fire faz por você.

Portanto, feche todos os programas, abra o Google Chrome (só funciona nele), clique aqui e relembre seus sonhos de infância. O diretor do clipe, aliás, é o Chris Milk, que já está virando queridinho deste blog. É dele também a ideia fantástica do The Johnny Cash Project, sobre o qual já falei aqui.

Uma mãozinha para fazer videoclipes

29/07/2010

O Mashable postou, esta semana, uma lista bem legal de clipes e projetos musicais colaborativos, a palavrinha favorita dos especialistas em cultura digital. A receita que inclui uma relação estreita entre fãs e artistas, a maravilhosa e revolucionária internet, além da ajudinha de uma boa ideia, pode dar resultados bem interessantes.  Na lista do site estão o The Johnny Cash Project, sobre o qual eu já falei aqui, e o clipe do Sour, “Hibi no Neiro”, também já citado neste humilde blog.

Entre os outros exemplos, destaco três. A banda holandesa C-Mon & Kypski lançou o site “One frame of fame” com o objetivo de angariar colaboradores para o clipe “More is less”. Até agora, quase 20 mil pessoas já participaram do projeto, que é bem simples. Você entra no site, a banda te mostra um frame do vídeo, você imita a pose para a webcam e, voilá, está pronto. Depois, eles misturam as imagens da galera às deles mesmos. Bem legal:

Outra iniciativa bacana é a do clipe “I’ve got nothing”, do ChartJackers. Mas é o típico caso da ideia ser mais legal que o resultado final. Promovido pela BBC e pelo Youtube, o projeto pretendia arrecadar grana para a campanha Children in need, popular no Reino Unido. A letra da música foi escrita a partir de comentários encontrados no Youtube, a melodia foi feita pelos usuários do site, que se inscreveram ainda para formar a banda que tocou a canção. As imagens do clipe, interpretações literais da música, foram enviadas também por internautas. Parece que não rendeu o dinheiro esperado, mas vale a olhada.

Por fim, o clipe incrível de “Dull flame of desire”, parceria da islandesa Björk com o cantor Anthony Hegarty (o “Anthony and the Johnsons”), foi dirigido por três pessoas diferentes. A história começou com a música anterior da cantora, “Innocence”. Björk lançou na internet um concurso para escolher um clipe dirigido por um fã. Os inscritos agradaram tanto que ela selecionou três para colocar “Dull flame of desire” na tela. Ela e Anthony gravaram a si mesmos em frente a uma tela verde e entregaram tudo para que três diretores – um na Espanha, um na Alemanha e outro no Japão – fizessem o que desse na telha. O resultado é muito bom:

O Mashable ainda dá uma bela dica, que certamente vai me render horas navegando: o site Genero.tv. Os artistas estabelecem parcerias com o portal e promovem concursos para escolher, entre vídeos enviados pelos fãs, o clipe oficial de sua música. Os vencedores ganham um monte de prêmios e os artistas ainda economizam… O único que eu vi foi o escolhido para a canção “Wait for me”, do Moby. Coisa fina:

Johnny Cash a 7680956 mãos

05/07/2010

Meu dia fica até mais feliz quando descubro algo incrível como o The Johnny Cash Project. Dirigido pelo americano Chris Milk, que já assinou videoclipes de artistas como Kanye West, U2 e Audioslave, o projeto pretende criar um “retrato vivo” do Homem de Preto a milhares de mãos. Funciona assim: usando uma imagem modelo, uma ferramenta de desenho e um tanto de inspiração, cada um pode criar um frame para o vídeo de “Ain’t no grave”, canção do álbum póstumo de Cash lançado em fevereiro deste ano.

Todas juntas, as imagens se convertem num videoclipe cujo desenvolvimento não acaba nunca. A ideia é que mais pessoas participem a cada dia e que haja várias versões para o mesmo frame. Consequentemente, é possível assistir a várias versões do mesmo clipe. O próprio site dá opções: pode-se optar pelos desenhos mais realistas ou mais abstratos, entre outras categorias. Tô pensando em fazer um.

Um clipe para chamar de seu

29/05/2010

Frustrações musicais da vida: não saber tocar nenhum instrumento, cantar horrivelmente, nunca ter feito um clipe… Opa! Este último item foi parcialmente resolvido graças ao pessoal do Labuat e sua música fofinha “Soy tu aire”. A banda, formada na Espanha em 2008, é o resultado da reunião da dupla do Pinker Tones (um grupo pop de Barcelona) com a vencedora do reality show Operación Triunfo que, aparentemente, é uma espécie de American Idol da Espanha (ok, eu sei que parece bizarro, mas a música é boa).

No ano passado, ao lançar seu primeiro álbum, os músicos do Labuat resolveram adotar uma estratégia diferente para divulgar o single e pediram ajuda aos criativos diretores de arte da Herraiz Soto & Co. (aliás, vale ver o site deles, tem uns trabalhos bem simpáticos). O resultado foi esse site aqui, onde eles convidam você, eu e todos nós a dar pitaco no clipe. A proposta é até bem simples: uma espécie de pincel que “escuta” a música e reage a seus movimentos. No fim das contas, cada um “desenha” um clipe diferente, dependendo de onde a música te leve. O site vai gravando seus movimentos e, no final, é só apertar play para ver como ficou.

Não satisfeitos, eles ainda adaptaram o mecanismo para controles de Wii (o videogame) e levaram para a rua. Vejam no vídeo a reação das pessoas enquanto pintam seu próprio clipe nas paredes da cidade.

Capturei, aí em cima, um trecho da minha obra de arte. Agora, só falta aprender a tocar violão…

Apanhadão musical

19/04/2010

Sempre que rolam esses festivais incríveis, fantásticos e – até agora – absolutamente inatingíveis para mim, como Coachella e Glastonbury, fico tentando evitar as notícias para não morrer de inveja, ao menos durante os dias em que os festivais acontecem. Só hoje voltei a olhar o Google Reader e há uma quantidade imensa de notícias musicais, relacionadas ou não ao eventinho discreto na Califórnia. Muita coisa para escutar. Mesmo de férias, não dá tempo. Mas eu sigo tentando.

Quem acompanha o mundinho musical deve ter reparado que, ultimamente, só se fala em LCD Soundsystem. Cria da década 00, o grupo, encabeçado pelo americano James Murphy, é queridinho da cena indie desde que estourou com “Daft Punk is playing in my house“, single do primeiro disco. A música rapidamente virou hit nas pistas “alternativas” (ui, como odeio essa palavra) do mundo. A banda conseguiu, como poucas, superar o fantasma do segundo álbum. “Sound of silver”, de 2007, veio com a ótima (eu acho, pelo menos) “All my friends“. Agora, os rapazinhos se preparam para lançar o terceiro, que, adivinhem? Já caiu na internet.  Mas como James Murphy pediu pelamordedeus pros fãs não baixarem, não o farei. Aham, sou uma moça respeitadora das regras. No entanto, o Youtube já tem o videoclipe para “Drunk girls”, primeiro single do álbum, que sai em maio e vai se chamar “This is happening”. O clipe é des-vai-ra-do e, para mim, desde já um clássico. Dirigido por Murphy e, quem mais?, Spike Jonze. Já me vejo dançando a música…

Enquanto o LCD Soundsystem pede que a galera espere pelo lançamento do álbum, o Gogol Bordello colocou tudo no My Space para quem quiser ouvir. A banda do ucraniano Eugene Hutz lança “Trans-Continental Hustle” no final deste mês. Pelo que eu ouvi, é mais munição para as explosões divertidíssimas que são os shows do grupo. A brasilidade do vocalista, que tem casa no Rio e é figurinha fácil na Zona Sul, rendeu músicas com títulos como “Uma menina” e “In the meantime in Pernambuco”, em cuja letra só entendo que ele fala bastante de cachaça, hahaha. Ouve lá.

E seguindo a linha “quem é vivo sempre aparece”, o Blur resolveu lançar uma música sete anos depois de sua última gravação. Segundo a Pitchfork, o reencontro especialíssimo foi parte da celebração do Record Store Day (o dia das lojas de discos). Especial e limitado a apenas mil cópias. Junto com Oasis e Smashing Pumpkins, o Blur é a banda que me traz os anos 90 de volta. Meu sotaque favorito é ainda melhor quando sai dos lábios de Damon Albarn. Então vamos, todos juntos, ouvir essa belezinha que é “Fool’s day”:

Para finalizar, amanhã rola, nos EUA, o espisódio de Glee dedicado às músicas da Madonna. Sim, tô viciadinha em Glee. E tá um rebuliço na internet por causa desse episódio…. já vi tantos teasers que, não vai ter jeito, vou ter que baixar. Nesse link aqui dá para ouvir 30 segundos das versões deles para algumas das músicas. Acho que “Express yourself” vai ficar bem divertida. O teaser:

Acabei nem falando de Coachella, né? Melhor assim. Mas, para não fugir totalmente do assunto festivais, hoje saiu a lista de atrações de Glastonbury, que acontece em junho, na Inglaterra. Entre as bandas, uma tal de Os Mutantes. Oi? Sim, são os nossos Mutantes que, aparentemente, ainda existem. Lançaram um álbum no ano passado e a vocalista é uma tal de Bia Mendes! Vejam  na Wikipedia. Não pode ser bom isso, né?

*O crédito da foto lá em cima é desse cara aqui*

Luz, câmera, música

22/03/2010

Depois de escrever sobre Spike Jonze no post anterior, fiquei lembrando de alguns clipes dele e do Gondry e resolvi fazer uma pesquisinha para buscar clipes feitos por diretores de cinema. Revi alguns que eu adoro, descobri uns novos e listei aí embaixo os meus favoritos.

No quesito quantidade, acho que ninguém bate Michel Gondry, o francês mais legal da dupla clipe-filmes. Ele não apenas tem boas ideias, dirige clipes fantásticos mas ainda escolhe artistas bacanas como parceiros. E, se a música é boa, combina ainda mais com os clipes dele. Os meus favoritos, por critérios puramente afetivos e difíceis de explicar, são “Bachelorette”, da Björk, e “Let forever be”, do Chemical Brothers.

Uma característica interessante dos clipes do Gondry é como, em vários deles, ele utiliza a própria música e os instrumentos para dirigir as imagens. É o caso de “Star guitar”, do Chemical Brothers. O vídeo nada mais é que uma câmera, dentro de um trem, filmando a paisagem. Mas ele insere os prédios e estruturas da paisagem de acordo com as batidas e os elementos musicais que a canção oferece. Viagem pura! Já em “Around the world”, do Daft Punk, ele promove uma bizarra festa de halloween em que cada um dos “grupos” fantasiados representa um elemento da música: bateria eletrônica, voz, guitarra, baixo e sintetizador. Em “The hardest button to button”, do White Stripes, a bateria de Meg e a guitarra de Jack são duplicados, repetidos e multiplicados zilhões de vezes a cada batida.

Spike Jonze também tem uma bela coleção de vídeos musicais na carreira em parceria com artistas como Beastie Boys e Sonic Youth. É dele o clássico clipe de “Praise you“, do Fatboy Slim, com um grupo dançando a música toscamente na porta de um cinema. Descobri na Wikipedia que o vídeo engraçadinho foi gravado de um jeito bem mambembe mesmo, sem pedir autorização nem nada.  No outro extremo, o bizarro e polêmico clipe de “Y Control“, do Yeah Yeah Yeahs,  traz a cantora Karen O. acompanhada de criancinhas assustadoras, que decepam as mãos umas das outras e chutam um cachorro morto! O meu favorito dele é, claro, “Buddy Holly”, do Weezer, que simula uma apresentação da banda no programa “Happy Days”, famoso nos EUA na década de 70.

Meu diretor favorito, David Lych também tem sua experiência no mundo da música. Ele experimentou com animação no clipe de “Shot in the back of the head”, do Moby. É desenho animado mas é sombrio, assustador e meio maluco. A cara dele.

Cores saturadas, slow motion, sedução: é Wong Kar-Wai e o lindo vídeo para a música “Six days”, do DJ Shadow.

Jonathan Dayton e Valerie Farris, diretores da fofura “Pequena Miss Sunshine”, foram os responsáveis por dois dos clipes mais emblemáticos da minha adolescência nos anos 90, ambos do Smashing Pumpkins. “Tonight, tonight” pode parecer uma simples releitura de  “Viagem à lua”, filme francês de 1902. Mas é tão bem feito e o clima combina tanto com a banda e a música…. Já “1979” faz todo mundo sentir saudade da adolescência, mesmo que ela não tenha sido nada parecida com aquilo.

Por último, mas não menos importante, o queridinho John Cameron Mitchell, de “Hedwig” e “Shortbus” faz o fofo no clipe da música “First day of my life”, coisinha bonitinha da banda Bright Eyes.

E aí, lembram de outros clipes e diretores?