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O dia em que fui ao Central Perk

25/07/2011

(ou da série “sem vergonha de escrever um post com muito atraso”)

O Central Perk!

Para os cinéfilos, Los Angeles é uma espécie de parque de diversões. Basta chegar lá para começar um tal de querer ir ao prédio onde foi filmado o longa tal, conhecer a rua que inspirou o diretor fulano, ver o restaurante que aparece numa cena qualquer, e por aí vai. Quem é freak de filmes e séries de TV tem um programa obrigatório na cidade dos anjos: conhecer um estúdio. São quatro os grandes conglomerados por lá: Warner, Sony, Paramount e Universal. O primeiro tem o tour mais famoso e recomendado, portanto, foi o escolhido.

O beco onde o Homem-Aranha beijou Mary Jane de cabeça para baixo

Não é super baratinho, não – são 48 doletas -, mas vale a pena. São quase 3 horas de passeio num carrinho rodando pela enorme área que abrange 30 estúdios (!), sendo um deles o maior do mundo, e onde ficam ainda uma série de cidades cenográficas e museus que guardam algumas relíquias preciosíssimas para quem curte esse mundo. Tudo começa pelas ruazinhas de mentira. O guia, cheio de piadas decoradas (mas ainda assim engraçadinhas, vá lá!) nos apresenta o pedacinho de Nova York onde os amigos de “Friends” passeavam, o beco onde Homem-Aranha e Mary Jane Watson se beijaram pela primeira vez e a pracinha com uma igreja no centro que já serviu de cenário para diversas séries e filmes. Entramos no estúdio onde fica o tribunal de “Harry’s law” (a série com a Kathy Bates acabou de estrear por aqui) e vimos a loja de sapatos da mesma atração numa das cidades cenográficas.

O Gran Torino do Clint Eastwood

Durante o tour, também entramos em diversos mini-museus do conglomerado. A primeira parada é naquele dedicado aos carros: tem o Batmóvel, o Mistery Machine do Scooby Doo, o carrão do Sr. Smith de “Matrix” e o carro voador do Harry Potter. Ah, e o melhor de todos, o Gran Torino que, segundo as informações do guia, pertence ao Clint Eastwood. Mas ele, com muita gentileza, cede para a exposição. Fofo, né?

Outra parada importante é o museu de figurinos, onde encontra-se desde a vestimenta completa dos personagens de “Onde vivem os monstros” às roupas dos nerds de “Big bang theory”. O segundo andar é todo dedicado a “Harry Potter” e diversão garantida para os fãs da história. Tem figurinos, objetos de cena (como a caixa com as bolas de quadribol) e até um chapéu seletor que indica para qual das casas de Hogwarts o visitante seria escolhido. Eu fui pra Grifinória, tá, amigos?

Uma das partes que mais me impressionou no passeio foram as salas entulhadas com os mais diversos objetos, de simples cadeiras a maravilhosas obras de arte. Conforme disse o guia, os irmãos Warner gostavam de colecionar cacarecos e achavam que tudo poderia ser útil para a produção de arte dos filmes. Numa dessas, por exemplo, compraram um lustre enorme, de cristal, maravilhoso, que está lá até hoje. Depois descobriram que a tal peça fazia parte de um grupo de seis lustres raríssimos encomendado por um czar da Rússia (ou algo parecido, não tenho absoluta certeza), que eventualmente desapareceu. Hoje só existem dois; um deles, da Warner.

Mais Central Perk

É perto dessas salas que fica a atração mais esperada do dia. O guia faz um misteriozinho, diz que vamos entrar num “set aposentado” e teremos pouco tempo lá dentro. Quando abrem-se as portas, tcharanran!, é o Central Perk em carne, osso e xícaras. Meus companheiros de tour eram assim meio caidinhos e um tanto esquisitos (eram três casais; dois velhinhos ficaram muito impressionados em conhecer alguém do Brasil – “é tão longe!”, eles diziam – e chegaram a perguntar se eu era famosa… oi?), de forma que a mais animada era eu. Percebendo meu entusiasmo, o guia foi parceiro e se ofereceu para fazer mil fotos minhas no lugar. Meus agradecimentos sinceros aqui novamente ao David (ou era Brian? Esse é o drama de escrever com tanto atraso, já não me lembro de nada). Muita emoção conhecer o set de uma das minhas séries favoritas. É bem menor do que parece na TV e, de acordo com David (Brian?), todos os objetos lá deixados são os originalmente usados na série, exceto o violão. Esse a Lisa Kudrow levou para casa.

O tour termina, é claro, na lojinha sensacional do estúdio. Fui econômica e levei para casa só duas camisetas, de “Big Bang Theory” e “Se beber não case”. As coordenadas para quem quiser fazer o passeio estão aqui.

A igreja de John Coltrane

17/05/2011

Foram mais de três meses de indesculpável abandono, mas, Brasil, eu voltei! E depois de um mês viajando pela América, aproveitarei o espaço do humilde bloguinho para compartilhar com vocês os highlights desta jornada.

Primeira parada: São Francisco. Muito mais do que o estereótipo da “cidade gay”, este pedaço da Califórnia dá a qualquer um que chegue aos EUA uma excelente primeira impressão. Ensolarado, porém frio (não imagino clima melhor neste mundo), é habitado por alguns dos melhores exemplares da cultura ianque. Educados, sorridentes, prestativos, liberais, os san franciscans são possivelmente o povo mais legal que já conheci. Creio que só desta cidade poderia sair o tema deste primeiro post.

Quando disse aos amigos que iria à missa no domingo, a reação de surpresa foi geral. Mas não era uma missa qualquer: fundada em 1971, a Saint John Will-I-Am Coltrane African Orthodox Church presta devoção a um dos principais nomes do jazz. Músico de fortes convicções religiosas, que foram refletidas em suas canções, John Coltrane é, de verdade, um santo: foi canonizado e é encarado pelos ministros da igreja como um verdadeiro mensageiro de Deus.

Desenhos do rosto de Coltrane decoram a parede da sede, localizada numa pequena salinha na Rua Fillmore, na área conhecida como Pacific Heights. Não muito mais de 30 cadeiras abrigam os devotos e curiosos de diversas partes do mundo. Apenas naquele dia, o livro de presença registrava assinaturas da Suécia, Austrália e de um tal Brasil. Logo ao chegar, os espectadores são recebidos por um senhor simpático, que os orienta a tomarem seus lugares e mostra onde ficam os instrumentos extras. Sim, nesta missa, a “plateia” é incentivada a interagir. Há, inclusive, quem leve seus próprios chocalhos e afins de casa. No altar (ou melhor, no palco), uma bateria, um teclado, um contrabaixo e um saxofone aguardam os “ministers of sound“, como eles mesmos se definem. Todos ocupam seus lugares, vestidos com roupas civis. As exceções são a reverenda Wanika King, toda de preto, com uma espécie de amito (aquele pano branco que os padres usam no pescoço), que se posiciona ao lado do contrabaixo, e o arcebispo Franzo King, com uma túnica roxa e saxofone na mão. Ao lado de todos eles, ainda estão uma cantora e duas backing vocals. Tudo pronto para começar.

A primeira metade da missa é totalmente musical. Canções como “Attaining” e “A love supreme” são executadas pela (boa, aliás) banda, junto com um conjunto de “aleluias” e outras frases religiosas. O ritmo é tão bom que basta uma olhada na plateia para ver todos dançando. Ou, pelo menos, balançando desajeitadamente de um lado para outro. No fundo da sala, alguns se aventuram com os instrumentos. Até para o mais ateu dos ateus é fácil entrar no clima. A segunda metade da atração é mais parecida com uma missa convencional. O arcebispo toma a palavra e disserta sobre um assunto qualquer à escolha. Por sorte, no dia em que assisti, o tema foi o próprio John Coltrane e como é possível transcender espiritualmente ouvindo sua música. O cara ainda era bem humorado e pregava conceitos bem liberais como a tolerância e o amor entre as pessoas. Quem diria que uma missa poderia ser um dos programas mais interessantes da viagem…

Quem quiser conhecer mais sobre a Saint John Will-I-Am Coltrane African Orthodox Church, pode entrar no site. A missa acontece todos os domingos, ao meio-dia. Inclui aí no seu roteiro.

Conforme prometido…

18/04/2010

… aí está a minha versão da belíssima paisagem da Chapada Diamantina, vista do Morro do Pai Inácio. O álbum completo, caso alguém queira ver, está aqui. Não há qualquer foto de Salvador porque durante os quatro dias em que estive na cidade, choveu sem parar. Teve night, teve bebedeira, mas não teve foto. Aproveito para compartilhar algumas coisas que aprendi durante esta viagem:

– Acho que, para ser comissário de bordo, um dos pré-requisitos é falar inglês com a pior dicção possível. Não entendo porque eles falam daquele jeito. Não é possível.

– A ponte aérea é realmente bem mais valorizada do que qualquer outro voo. Em vez de barrinha de cereal, a Gol serviu um bagel quentinho com cream cheese!

– Eles realmente gostam de axé na Bahia. Sim, é triste.

– “Salvador” ia ser o nome do bebê do casal de ingleses que eu conheci. Mas, como não gostaram muito da cidade, eles estão pensando em alternativas. Depois que falei meu nome completo, eles cogitam usar “Oliveira”, caso seja uma menina.

– Em Salvador, falar inglês na porta da boate atrai os tipos mais bizarros que já conheci na vida.

– Preciso deixar de lado essa vida de sedentarismo.