Posts Tagged ‘Spike Jonze’

Luz, câmera, música

22/03/2010

Depois de escrever sobre Spike Jonze no post anterior, fiquei lembrando de alguns clipes dele e do Gondry e resolvi fazer uma pesquisinha para buscar clipes feitos por diretores de cinema. Revi alguns que eu adoro, descobri uns novos e listei aí embaixo os meus favoritos.

No quesito quantidade, acho que ninguém bate Michel Gondry, o francês mais legal da dupla clipe-filmes. Ele não apenas tem boas ideias, dirige clipes fantásticos mas ainda escolhe artistas bacanas como parceiros. E, se a música é boa, combina ainda mais com os clipes dele. Os meus favoritos, por critérios puramente afetivos e difíceis de explicar, são “Bachelorette”, da Björk, e “Let forever be”, do Chemical Brothers.

Uma característica interessante dos clipes do Gondry é como, em vários deles, ele utiliza a própria música e os instrumentos para dirigir as imagens. É o caso de “Star guitar”, do Chemical Brothers. O vídeo nada mais é que uma câmera, dentro de um trem, filmando a paisagem. Mas ele insere os prédios e estruturas da paisagem de acordo com as batidas e os elementos musicais que a canção oferece. Viagem pura! Já em “Around the world”, do Daft Punk, ele promove uma bizarra festa de halloween em que cada um dos “grupos” fantasiados representa um elemento da música: bateria eletrônica, voz, guitarra, baixo e sintetizador. Em “The hardest button to button”, do White Stripes, a bateria de Meg e a guitarra de Jack são duplicados, repetidos e multiplicados zilhões de vezes a cada batida.

Spike Jonze também tem uma bela coleção de vídeos musicais na carreira em parceria com artistas como Beastie Boys e Sonic Youth. É dele o clássico clipe de “Praise you“, do Fatboy Slim, com um grupo dançando a música toscamente na porta de um cinema. Descobri na Wikipedia que o vídeo engraçadinho foi gravado de um jeito bem mambembe mesmo, sem pedir autorização nem nada.  No outro extremo, o bizarro e polêmico clipe de “Y Control“, do Yeah Yeah Yeahs,  traz a cantora Karen O. acompanhada de criancinhas assustadoras, que decepam as mãos umas das outras e chutam um cachorro morto! O meu favorito dele é, claro, “Buddy Holly”, do Weezer, que simula uma apresentação da banda no programa “Happy Days”, famoso nos EUA na década de 70.

Meu diretor favorito, David Lych também tem sua experiência no mundo da música. Ele experimentou com animação no clipe de “Shot in the back of the head”, do Moby. É desenho animado mas é sombrio, assustador e meio maluco. A cara dele.

Cores saturadas, slow motion, sedução: é Wong Kar-Wai e o lindo vídeo para a música “Six days”, do DJ Shadow.

Jonathan Dayton e Valerie Farris, diretores da fofura “Pequena Miss Sunshine”, foram os responsáveis por dois dos clipes mais emblemáticos da minha adolescência nos anos 90, ambos do Smashing Pumpkins. “Tonight, tonight” pode parecer uma simples releitura de  “Viagem à lua”, filme francês de 1902. Mas é tão bem feito e o clima combina tanto com a banda e a música…. Já “1979” faz todo mundo sentir saudade da adolescência, mesmo que ela não tenha sido nada parecida com aquilo.

Por último, mas não menos importante, o queridinho John Cameron Mitchell, de “Hedwig” e “Shortbus” faz o fofo no clipe da música “First day of my life”, coisinha bonitinha da banda Bright Eyes.

E aí, lembram de outros clipes e diretores?

Spike Jonze is here

21/03/2010

Descobri no blog de cinema da Ilustrada o novo filme do Spike Jonze. Chama-se “I’m here”, e é um curta de 30 minutos bancado pela Absolut (vai saber o porquê) sobre o relacionamento entre dois robôs. O filme é uma graça, com trilha sonora fofa e é a cara do Spike Jonze. Eu acabei assistindo no Youtube, mas o site oficial vale uma olhada. A ideia é que o espectador sinta-se numa sala de cinema, com direito a bilheteria e horário para as sessões; quanto tentei ver, a próxima seria em 3h48 e não tive paciência para esperar.

Embora não seja possível reconhecê-los pelo rosto, os atores principais são Andrew Garfield, um rapazinho de 25 anos que veremos em breve em “O mundo imaginário do Dr. Parnassus”, como o robô Sheldon (foi impossível para mim não lembrar de Big Bang Theory), e Sienna Guilory, que não fez nada muito digno de nota além de um papel secundário em “Simplesmente amor”. É difícil avaliar o quanto da interpretação deles transparece nos robôs, não sei qual foi a técnica usada, mas é possível sentir as emoções naqueles rostos feitos de plástico e peças de computador. Ele é cara tímido, meio loser, daqueles que mal conseguem falar na presença de outras pessoas.  E a solidão e sensação de não-pertencimento do personagem são perfeitamente transportadas para a tela pelas imagens e planos de Jonze. A vida muda quando ele encontra a robô maluquete com ótimo gosto musical (tem um quê de Brilho Eterno, eu diria…).

O autor do post no blog da Ilustrada aproveita o gancho para discutir a importância do trio Jonze – (Michel) Gondry – (Charlie) Kaufman. Diz ele:  “Há aqueles que os consideram gênios, com os trabalhos mais radicais e inovadores da atualidade. Outros, vêem apenas um cinema novidadeiro, para impressionar aquele público modernoso, sem muitas referências”. Gênio é um adjetivo complicado, mas que estes três cineastas já tiveram no mínimo alguns momentos geniais, disso eu não tenho dúvida.

Quem ficar com preguiça de esperar a próxima sessão do cineminha, pode assistir o vídeo, dividido em três partes, no Youtube: aqui, aqui e aqui.