Posts Tagged ‘David Lynch’

Sobre cartões-postais e personagens

23/07/2010

O pessoal do blog Ilustrada no cinema descobriu essa semana um projeto bem legal chamado “Postcards to Alphaville“. O site reúne ilustrações que homenageiam personagens marcantes (ou não) da história do cinema. Cada artista (você, caro leitor, pode se candidatar também se quiser) escolhe um filme e usa a imaginação para oferecer sua visão sobre determinada figura fictícia.

Entre meus favoritos estão, coincidentemente, imagens de filmes que moram no meu coração. Os dois de David Lynch que figuram na lista, por exemplo, estão ótimos: o homem assustador, misterioso e sem sobrancelhas de “Estrada perdida” e o inesquecível Frank (belo trabalho de Dennis Hopper, que Deus o tenha) de “Veludo Azul”.

O Bob Harris de “Encontros e desencontros” também é uma perfeição, assim como a simétrica ilustração do robô Hal 9000, de “2001, uma odisséia no espaço”, cheio de sentimentos. O trabalho com texturas na representação do jurado número 4 de “Doze homens e uma sentença” merece uma olhada. Aliás, cliquei no site da artista, Gediminas Šiaulys, e é bem interessante. Vai lá dar uma navegada entre todos eles, clicando aqui.

O site é bem feito, com navegação muito simples e agradável. É possível ordenar as imagens por filme, personagem ou artista, além de conhecer melhor os ilustradores em seus blogs e sites pessoais, disponíveis em cada desenho. O “Postcards to Alphaville” é idealizado e editado por um certo Paul Paper, que descobri ser um rapazinho de 25 anos nascido na Lituânia e cheio de projetos. A ideia do jovem é lançar o resultado do trabalho em livro, e o site tem até uma ferramenta para quem quiser doar uma grana e ajudar a colocar as ilustrações no papel. Taí um livro que eu compraria fácil…

David Lynch faz propaganda? Eu compro.

07/06/2010

Há umas duas semanas, a Dior lançou na internet a terceira parte da campanha espetacular que vem fazendo para promover sua nova bolsa, a Lady Dior. Trata-se de um curta-metragem de 16 minutos realizado por David Lynch e protagonizado pela garota propaganda da marca, a francesa Marion Cotillard. O conjunto da obra é um espetáculo visual. Começa com “Lady Noire“, filminho de 8 minutos ambientado em Paris e dirigido por Olivier Dahan, que já havia trabalhado com a atriz em “Piaf – um hino ao amor”. O segundo capítulo é “Lady Rouge“, uma espécie de videoclipe para a música “Eyes of Mars”, composta especialmente pelo grupo Franz Ferdinand para a Dior. No vídeo, gravado em Nova York, a própria banda aparece acompanhando a “cantora” Cotillard. No belo site da Dior, tudo isso ainda vem acompanhado das fotos da campanha, não menos incríveis – a versão vermelha, por exemplo, foi clicada pela super hypada Annie Leibovitz.

Mas é no vídeo de Lynch que a campanha ganha ainda mais status de obra de arte. “Lady Blue” coloca Cotillard em Shangai, como uma mulher que tem a impressão de já ter estado naquela cidade estranha. Algumas das melhores características do cineasta estão ali: seu uso de cores e sons, os planos, a direção de atores, a atmosfera de sonho… É absolutamente arrebatador o que esse homem consegue fazer com as imagens! E isso tudo em apenas um comercial. É possível assistir no próprio site da Dior ou no Youtube em duas partes. A primeira, abaixo, e a segunda, aqui.

Confesso: fiquei afim da bolsa.

E esta não é a primeira vez que Lynch dirige um comercial: a relação do cineasta com a publicidade é antiga. Neste site sobre o trabalho do diretor há vários exemplos. O repertório vai de comerciais de perfume até anúncios de teste de gravidez! Ele faz graça no vídeo para a marca de café japonesa Georgia com os personagens da série Twin Peaks e mostra seu (bastante conhecido) lado bizarro no filmete feito para o lançamento do videogame Playstation 2. Mas nada é melhor do que ver Lynch sendo sombrio e assustador num comercial de saúde pública. A peça chama a atenção dos novaiorquinos para a infestação de ratos provocada pela sujeira. Impagável:

Luz, câmera, música

22/03/2010

Depois de escrever sobre Spike Jonze no post anterior, fiquei lembrando de alguns clipes dele e do Gondry e resolvi fazer uma pesquisinha para buscar clipes feitos por diretores de cinema. Revi alguns que eu adoro, descobri uns novos e listei aí embaixo os meus favoritos.

No quesito quantidade, acho que ninguém bate Michel Gondry, o francês mais legal da dupla clipe-filmes. Ele não apenas tem boas ideias, dirige clipes fantásticos mas ainda escolhe artistas bacanas como parceiros. E, se a música é boa, combina ainda mais com os clipes dele. Os meus favoritos, por critérios puramente afetivos e difíceis de explicar, são “Bachelorette”, da Björk, e “Let forever be”, do Chemical Brothers.

Uma característica interessante dos clipes do Gondry é como, em vários deles, ele utiliza a própria música e os instrumentos para dirigir as imagens. É o caso de “Star guitar”, do Chemical Brothers. O vídeo nada mais é que uma câmera, dentro de um trem, filmando a paisagem. Mas ele insere os prédios e estruturas da paisagem de acordo com as batidas e os elementos musicais que a canção oferece. Viagem pura! Já em “Around the world”, do Daft Punk, ele promove uma bizarra festa de halloween em que cada um dos “grupos” fantasiados representa um elemento da música: bateria eletrônica, voz, guitarra, baixo e sintetizador. Em “The hardest button to button”, do White Stripes, a bateria de Meg e a guitarra de Jack são duplicados, repetidos e multiplicados zilhões de vezes a cada batida.

Spike Jonze também tem uma bela coleção de vídeos musicais na carreira em parceria com artistas como Beastie Boys e Sonic Youth. É dele o clássico clipe de “Praise you“, do Fatboy Slim, com um grupo dançando a música toscamente na porta de um cinema. Descobri na Wikipedia que o vídeo engraçadinho foi gravado de um jeito bem mambembe mesmo, sem pedir autorização nem nada.  No outro extremo, o bizarro e polêmico clipe de “Y Control“, do Yeah Yeah Yeahs,  traz a cantora Karen O. acompanhada de criancinhas assustadoras, que decepam as mãos umas das outras e chutam um cachorro morto! O meu favorito dele é, claro, “Buddy Holly”, do Weezer, que simula uma apresentação da banda no programa “Happy Days”, famoso nos EUA na década de 70.

Meu diretor favorito, David Lych também tem sua experiência no mundo da música. Ele experimentou com animação no clipe de “Shot in the back of the head”, do Moby. É desenho animado mas é sombrio, assustador e meio maluco. A cara dele.

Cores saturadas, slow motion, sedução: é Wong Kar-Wai e o lindo vídeo para a música “Six days”, do DJ Shadow.

Jonathan Dayton e Valerie Farris, diretores da fofura “Pequena Miss Sunshine”, foram os responsáveis por dois dos clipes mais emblemáticos da minha adolescência nos anos 90, ambos do Smashing Pumpkins. “Tonight, tonight” pode parecer uma simples releitura de  “Viagem à lua”, filme francês de 1902. Mas é tão bem feito e o clima combina tanto com a banda e a música…. Já “1979” faz todo mundo sentir saudade da adolescência, mesmo que ela não tenha sido nada parecida com aquilo.

Por último, mas não menos importante, o queridinho John Cameron Mitchell, de “Hedwig” e “Shortbus” faz o fofo no clipe da música “First day of my life”, coisinha bonitinha da banda Bright Eyes.

E aí, lembram de outros clipes e diretores?