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Três meses depois, enfim o Coachella

01/08/2011

(continuando a série “sem vergonha de escrever um post com muito atraso”)

Escrevi um post reclamando sobre a inacessibilidade dos festivais de música para mim, depois outro contando que finalmente tinha comprado ingresso para um deles mas, no fim das contas, não voltei aqui para contar como foi o Coachella. Eu sei, foi há mais de 3 meses, ninguém mais está interessado nisso, mas agora que estou novamente embalada na freneticidade blogueira, deu vontade de fazer um relatoriozinho, sabe, para guardar mesmo. Mas sintam-se à vontade para ignorar, estou consciente de que o assunto é velho.

pôr do sol em Indio

Para quem nunca foi a um evento do tipo, é preciso observar algumas coisinhas básicas, tipo ter o preparo físico minimamente em dia. Porque você vai andar, e muito. A escolha de roupas é quase uma pegadinha, já que durante o dia você frita debaixo do sol do deserto e, à noite, bate o queixo de frio. E, acho eu, o conselho mais importante para quem vai a um festival como o Coachella: é preciso “deixar pra lá”. Sim, porque é impossível mesmo ver todos os shows que você quer e ainda arranjar tempo para relaxar, beber uma cerveja, comprar uma camiseta, conhecer pessoas, etc, etc.

o palco principal

O primeiro dia começou com The Drums, banda em cujo álbum eu já estava viciadinha há um tempo. São uns meninos bem jovenzinhos (é triste chegar ao ponto em que os rockstars são mais novos que você) que ainda têm muito a aprender, mas foi um show bem divertido. Um bom começo, eu diria. Quase na mesma hora, rolava a apresentação do Morning Benders, que eu queria ver mas, paciência, não deu. Deixa pra lá. Peguei um pedacinho ainda do Warpaint, uma banda de meninas bastante fofa e simpática, que acabei conhecendo melhor agora, alguns meses depois do show. Ponto positivo para a primeira descoberta do dia. Depois, foi correr para assistir ao Cee-Lo Green, mas o bonitão se atrasou e acabou cantando só quatro músicas. Valeu pela animação do povo com “Fuck you” e “Crazy”. Na verdade, animação talvez não seja a melhor maneira de descrever a forma como a galera se comporta nas apresentações. Dá para entender porque os músicos piram quando vêm fazer no show no Circo Voador. Realmente, me parece, a vibe da plateia aqui no Brasil é bem outra.

Uma cervejinha no cercadinho (bebida alcoolica só é vendida em espaços delimitados) vendo Lauryn Hill de longe e, depois, hora de conferir o Sleigh Bells. O gênero do duo capitaneado pela vocalista Alexis Krauss é descrito na Wikipedia como “noise pop”. De fato, eles fazem muito barulho. E é sensacional. A mulher tava on fire e a música é só batidão sinistro. Um dos melhores do festival. Logo depois, veio um pouco do som gostosinho do Black Keys e pausa para sentar na canga e dar uma descansada. Foi lá de longe, sentadinha e morrendo de frio, que acompanhei parte do show dos chatolas do Kings of Leon. Depois da romaria de pedir celulares emprestados a completos estranhos para encontrar o resto dos companheiros de casa (claro, consegui me perder das pessoas), a noite terminou com o finalzinho do show do Emicida para uma enorme plateia de cerca de 10 pessoas. Brazilian pride, man! O Chemical Brothers ficou para uma próxima, mas deu pra ouvir “Hey boy, hey girl” durante a loooonga caminhada de volta para o carro.

a humilde casa dos pink flamingos

Não mencionei ainda que a casa onde estávamos hospedados em Palm Springs era coisa de cinema, com piscina, jacuzzi, churrasqueira e toda essa parafernália a que pessoas de férias têm direito. Era, portanto, muito penoso sair de lá. No segundo dia, decidimos cortar as bandas que tocariam muito cedo (e perdi o show do The Radio Dept, que queria muito ver… mas o negócio é entoar o mantra “deixa pra lá”) e chegamos depois das 16h direto para o Two Door Cinema Club. Os irlandeses haviam tocado no Rio há pouquíssimo tempo, mas deixei para ver em Indio. Curti bastante na hora mas ainda não baixei depois de voltar para me inteirar do som com mais calma. Tá na lista. Próxima parada foi o Broken Social Scene, também bem legal e que, desde então, vem rolando direto no iPod. Na hora do One Day as a Lion, a tenda estava lotadaça: todo mundo queria ver o show da outra banda do Zach de la Rocha, do Rage Against the Machine. É quase só bateria, pancadão, e fez o povo pular de verdade. Vibe totalmente diferente do clima romance do Swell Season, que veio logo em seguida. Sou fã da dupla desde que assisti a “Apenas uma vez”, filme protagonizado por eles e que tem a melhor trilha sonora dos últimos tempos. Foi demais, clima incrível, músicas lindas… Outro para a lista dos melhores.

Mas o que já estava bom ainda podia melhorar: o headliner da noite era o Arcade Fire, motivo maior da minha ida ao festival. Difícil descrever a lindeza daquele show, com o cenário deslumbrante, a banda explodindo de felicidade, aquelas músicas grandiosas e o espetáculo produzido pelas bolotas caindo do céu na hora de “Wake up”. Basta dizer que entrou no top 5 de melhores shows da minha vida e colocou um sorriso no meu rosto que deve ter durado pelo menos algumas semanas. Pode chorar vendo um trechinho:

O domingo foi ainda mais preguiçoso, com churrasco, piscina e cerveja deixando nossa chegada no Coachella para as seis da tarde. Tudo bem, porque foi perfeito ver o Best Coast (banda na qual viciei totalmente agora, mais de três meses depois) no pôr do sol do palco Outdoor, certamente o visual mais lindo do festival. Depois veio a cervejinha, um pedaço do (belo) show do The National e um trechinho do Duran Duran, tudo enquanto esperava o Strokes. Esse dia foi de cortar o coração porque a PJ Harvey se apresentaria ali do lado, no mesmo horário. Mas optei por Casablancas e cia. e acho que não me arrependi. A força dos caras no palco é impressionante e o show foi foda mesmo com o mau humorzinho do vocalista blasé, que deu uma zoada na plateia, sacaneou Duran Duran e Kanye West (que viria a seguir) e caprichou no estilinho “não estou nem aí”. No fundo foi até engraçado. Ainda rolou um pedacinho do show do Kanye, cheio de pirotecnias e estripulias que animaram muito o povo que estava lá. Mas não é para mim, não, achei uma chatice. Por sorte, o resto da trupe também achou e aí acabou o Coachella. The end. Conclusão: assim que der, tô lá de novo.

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Faltam 85 dias para o Coachella

20/01/2011

Em abril do ano passado, eu escrevi esse post aqui reclamando do quanto os eventos de música mais incríveis do mundo eram inatingíveis para mim. Acho que foi um bom incentivo. Porque, em abril de 2011, já sei onde vou estar: no Coachella! Comprei nesta semana o ingresso para o festival americano cujo line-up saiu, finalmente, ontem.

Uma galera reclamou que a escalação das bandas que estarão no deserto da Califórnia entre os dias 15 e 17 de abril foi um tanto meia boca. Eu confesso que estou achando incrível. Tudo bem que todos os headliners já estiveram no Brasil. Não ligo a mínima para Kings of Leon ou Kanye West (embora ache que este último pode ser divertido), mas lembro bem daquele Tim Festival de 2005, quando uma mistura de circunstâncias me fez perder as apresentações espetaculares (dizem) de Strokes e Arcade Fire, talvez as duas melhores bandas dos anos 00, na minha humilde opinião. Agora eu vou ver. E ainda esperei os canadenses lançarem “The suburbs”, só para ser um pouquinho mais épico.

Ah, tem também a PJ Harvey. E diversão garantida com Cee Lo Green, She wants revenge e Scissor Sisters. E finalmente vou tomar vergonha na cara e baixar o tal álbum do The National que, dizem por aí, é um dos melhores de 2010.  E ainda vou ver os fofinhos do Swell Season que eu amo e perdi aqui no Vivo Rio. E mais um punhado de coisas legais e bandinhas hypadas que eu não conheço, mas acredito que sejam tão incríveis quanto esse povo superantenado diz. Grooveshark vai trabalhar ferozmente até abril. Já começou a contagem regressiva.

Apanhadão musical

19/04/2010

Sempre que rolam esses festivais incríveis, fantásticos e – até agora – absolutamente inatingíveis para mim, como Coachella e Glastonbury, fico tentando evitar as notícias para não morrer de inveja, ao menos durante os dias em que os festivais acontecem. Só hoje voltei a olhar o Google Reader e há uma quantidade imensa de notícias musicais, relacionadas ou não ao eventinho discreto na Califórnia. Muita coisa para escutar. Mesmo de férias, não dá tempo. Mas eu sigo tentando.

Quem acompanha o mundinho musical deve ter reparado que, ultimamente, só se fala em LCD Soundsystem. Cria da década 00, o grupo, encabeçado pelo americano James Murphy, é queridinho da cena indie desde que estourou com “Daft Punk is playing in my house“, single do primeiro disco. A música rapidamente virou hit nas pistas “alternativas” (ui, como odeio essa palavra) do mundo. A banda conseguiu, como poucas, superar o fantasma do segundo álbum. “Sound of silver”, de 2007, veio com a ótima (eu acho, pelo menos) “All my friends“. Agora, os rapazinhos se preparam para lançar o terceiro, que, adivinhem? Já caiu na internet.  Mas como James Murphy pediu pelamordedeus pros fãs não baixarem, não o farei. Aham, sou uma moça respeitadora das regras. No entanto, o Youtube já tem o videoclipe para “Drunk girls”, primeiro single do álbum, que sai em maio e vai se chamar “This is happening”. O clipe é des-vai-ra-do e, para mim, desde já um clássico. Dirigido por Murphy e, quem mais?, Spike Jonze. Já me vejo dançando a música…

Enquanto o LCD Soundsystem pede que a galera espere pelo lançamento do álbum, o Gogol Bordello colocou tudo no My Space para quem quiser ouvir. A banda do ucraniano Eugene Hutz lança “Trans-Continental Hustle” no final deste mês. Pelo que eu ouvi, é mais munição para as explosões divertidíssimas que são os shows do grupo. A brasilidade do vocalista, que tem casa no Rio e é figurinha fácil na Zona Sul, rendeu músicas com títulos como “Uma menina” e “In the meantime in Pernambuco”, em cuja letra só entendo que ele fala bastante de cachaça, hahaha. Ouve lá.

E seguindo a linha “quem é vivo sempre aparece”, o Blur resolveu lançar uma música sete anos depois de sua última gravação. Segundo a Pitchfork, o reencontro especialíssimo foi parte da celebração do Record Store Day (o dia das lojas de discos). Especial e limitado a apenas mil cópias. Junto com Oasis e Smashing Pumpkins, o Blur é a banda que me traz os anos 90 de volta. Meu sotaque favorito é ainda melhor quando sai dos lábios de Damon Albarn. Então vamos, todos juntos, ouvir essa belezinha que é “Fool’s day”:

Para finalizar, amanhã rola, nos EUA, o espisódio de Glee dedicado às músicas da Madonna. Sim, tô viciadinha em Glee. E tá um rebuliço na internet por causa desse episódio…. já vi tantos teasers que, não vai ter jeito, vou ter que baixar. Nesse link aqui dá para ouvir 30 segundos das versões deles para algumas das músicas. Acho que “Express yourself” vai ficar bem divertida. O teaser:

Acabei nem falando de Coachella, né? Melhor assim. Mas, para não fugir totalmente do assunto festivais, hoje saiu a lista de atrações de Glastonbury, que acontece em junho, na Inglaterra. Entre as bandas, uma tal de Os Mutantes. Oi? Sim, são os nossos Mutantes que, aparentemente, ainda existem. Lançaram um álbum no ano passado e a vocalista é uma tal de Bia Mendes! Vejam  na Wikipedia. Não pode ser bom isso, né?

*O crédito da foto lá em cima é desse cara aqui*