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Bjork e Gondry, juntos novamente

26/07/2011

Duplinha imbatível do mundo videoclíptico, a islandesa Bjork e o francês Michel Gondry estão juntos em mais uma produção: é o clipe de “Crystalline”, primeiro single do novo álbum da cantora, prometido para chegar ao mercado no final de setembro, segundo a Pitchfork.  Em matéria de esquisitice genial, realmente, eles são difíceis de superar. Não sou fanzoca da Bjork, mas admiro seu trabalho. E, perdoem a limitação, mas sou incapaz de analisar sua música de um jeito mais racional. A mulher parece mesmo de outro planeta. O fato é que o som é BEM bom.

Já do Gondry, vocês sabem, sou tiete. No vídeo de “Crystalline”, ele usa várias de suas marcas registradas, como a pegada lúdica e o uso de recursos visuais para marcar o tempo da canção, suas batidas ou instrumentos. Coisa fina. Já escrevi sobre outras parcerias da dupla aqui. E o clipe segue aí embaixo.

Uma mãozinha para fazer videoclipes

29/07/2010

O Mashable postou, esta semana, uma lista bem legal de clipes e projetos musicais colaborativos, a palavrinha favorita dos especialistas em cultura digital. A receita que inclui uma relação estreita entre fãs e artistas, a maravilhosa e revolucionária internet, além da ajudinha de uma boa ideia, pode dar resultados bem interessantes.  Na lista do site estão o The Johnny Cash Project, sobre o qual eu já falei aqui, e o clipe do Sour, “Hibi no Neiro”, também já citado neste humilde blog.

Entre os outros exemplos, destaco três. A banda holandesa C-Mon & Kypski lançou o site “One frame of fame” com o objetivo de angariar colaboradores para o clipe “More is less”. Até agora, quase 20 mil pessoas já participaram do projeto, que é bem simples. Você entra no site, a banda te mostra um frame do vídeo, você imita a pose para a webcam e, voilá, está pronto. Depois, eles misturam as imagens da galera às deles mesmos. Bem legal:

Outra iniciativa bacana é a do clipe “I’ve got nothing”, do ChartJackers. Mas é o típico caso da ideia ser mais legal que o resultado final. Promovido pela BBC e pelo Youtube, o projeto pretendia arrecadar grana para a campanha Children in need, popular no Reino Unido. A letra da música foi escrita a partir de comentários encontrados no Youtube, a melodia foi feita pelos usuários do site, que se inscreveram ainda para formar a banda que tocou a canção. As imagens do clipe, interpretações literais da música, foram enviadas também por internautas. Parece que não rendeu o dinheiro esperado, mas vale a olhada.

Por fim, o clipe incrível de “Dull flame of desire”, parceria da islandesa Björk com o cantor Anthony Hegarty (o “Anthony and the Johnsons”), foi dirigido por três pessoas diferentes. A história começou com a música anterior da cantora, “Innocence”. Björk lançou na internet um concurso para escolher um clipe dirigido por um fã. Os inscritos agradaram tanto que ela selecionou três para colocar “Dull flame of desire” na tela. Ela e Anthony gravaram a si mesmos em frente a uma tela verde e entregaram tudo para que três diretores – um na Espanha, um na Alemanha e outro no Japão – fizessem o que desse na telha. O resultado é muito bom:

O Mashable ainda dá uma bela dica, que certamente vai me render horas navegando: o site Genero.tv. Os artistas estabelecem parcerias com o portal e promovem concursos para escolher, entre vídeos enviados pelos fãs, o clipe oficial de sua música. Os vencedores ganham um monte de prêmios e os artistas ainda economizam… O único que eu vi foi o escolhido para a canção “Wait for me”, do Moby. Coisa fina:

Luz, câmera, música

22/03/2010

Depois de escrever sobre Spike Jonze no post anterior, fiquei lembrando de alguns clipes dele e do Gondry e resolvi fazer uma pesquisinha para buscar clipes feitos por diretores de cinema. Revi alguns que eu adoro, descobri uns novos e listei aí embaixo os meus favoritos.

No quesito quantidade, acho que ninguém bate Michel Gondry, o francês mais legal da dupla clipe-filmes. Ele não apenas tem boas ideias, dirige clipes fantásticos mas ainda escolhe artistas bacanas como parceiros. E, se a música é boa, combina ainda mais com os clipes dele. Os meus favoritos, por critérios puramente afetivos e difíceis de explicar, são “Bachelorette”, da Björk, e “Let forever be”, do Chemical Brothers.

Uma característica interessante dos clipes do Gondry é como, em vários deles, ele utiliza a própria música e os instrumentos para dirigir as imagens. É o caso de “Star guitar”, do Chemical Brothers. O vídeo nada mais é que uma câmera, dentro de um trem, filmando a paisagem. Mas ele insere os prédios e estruturas da paisagem de acordo com as batidas e os elementos musicais que a canção oferece. Viagem pura! Já em “Around the world”, do Daft Punk, ele promove uma bizarra festa de halloween em que cada um dos “grupos” fantasiados representa um elemento da música: bateria eletrônica, voz, guitarra, baixo e sintetizador. Em “The hardest button to button”, do White Stripes, a bateria de Meg e a guitarra de Jack são duplicados, repetidos e multiplicados zilhões de vezes a cada batida.

Spike Jonze também tem uma bela coleção de vídeos musicais na carreira em parceria com artistas como Beastie Boys e Sonic Youth. É dele o clássico clipe de “Praise you“, do Fatboy Slim, com um grupo dançando a música toscamente na porta de um cinema. Descobri na Wikipedia que o vídeo engraçadinho foi gravado de um jeito bem mambembe mesmo, sem pedir autorização nem nada.  No outro extremo, o bizarro e polêmico clipe de “Y Control“, do Yeah Yeah Yeahs,  traz a cantora Karen O. acompanhada de criancinhas assustadoras, que decepam as mãos umas das outras e chutam um cachorro morto! O meu favorito dele é, claro, “Buddy Holly”, do Weezer, que simula uma apresentação da banda no programa “Happy Days”, famoso nos EUA na década de 70.

Meu diretor favorito, David Lych também tem sua experiência no mundo da música. Ele experimentou com animação no clipe de “Shot in the back of the head”, do Moby. É desenho animado mas é sombrio, assustador e meio maluco. A cara dele.

Cores saturadas, slow motion, sedução: é Wong Kar-Wai e o lindo vídeo para a música “Six days”, do DJ Shadow.

Jonathan Dayton e Valerie Farris, diretores da fofura “Pequena Miss Sunshine”, foram os responsáveis por dois dos clipes mais emblemáticos da minha adolescência nos anos 90, ambos do Smashing Pumpkins. “Tonight, tonight” pode parecer uma simples releitura de  “Viagem à lua”, filme francês de 1902. Mas é tão bem feito e o clima combina tanto com a banda e a música…. Já “1979” faz todo mundo sentir saudade da adolescência, mesmo que ela não tenha sido nada parecida com aquilo.

Por último, mas não menos importante, o queridinho John Cameron Mitchell, de “Hedwig” e “Shortbus” faz o fofo no clipe da música “First day of my life”, coisinha bonitinha da banda Bright Eyes.

E aí, lembram de outros clipes e diretores?