Archive for agosto \31\UTC 2010

Infância: uma visão arcadefireana

31/08/2010

Olha, não quero me gabar, mas parece que Win Butler e a galera do Arcade Fire têm uma relação telepática comigo. Depois de escrever sobre Google Maps e música alguns posts abaixo, hoje vi que eles resolveram levar essa mistura a um nível totalmente superior. Para desenvolver o clipe de “We used to wait“, a banda criou o projeto “The wilderness downtown“, onde cenas gravadas por eles se juntam a imagens geradas pelo Google Maps a partir do endereço que você escolher no início. É uma pena que, aqui no Brasil, ainda não tenhamos uma cobertura bacana do Google Street View, o que limita um pouco a “criação” do clipe. Mas a música é incrível e a experiência, verdadeiramente emocionante. Coisas que só o Arcade Fire faz por você.

Portanto, feche todos os programas, abra o Google Chrome (só funciona nele), clique aqui e relembre seus sonhos de infância. O diretor do clipe, aliás, é o Chris Milk, que já está virando queridinho deste blog. É dele também a ideia fantástica do The Johnny Cash Project, sobre o qual já falei aqui.

Tirinha da semana

30/08/2010

(“Cersibon“, de Rafael Madeira)

O futuro está no cinema?

24/08/2010

De acordo com os filmes e séries que víamos na infância, o futuro já chegou. Prova disso é a imagem acima, postada por vários sites no início do mês, onde se vê que a menina prodígio dos Simpsons hoje já seria uma moça casada (o frame é do episódio “Lisa’s wedding”, que foi ao ar em 1995, segundo o Neatorama). Foi neste clima que, nestas últimas semanas, me deparei com esse texto da Smithsonian Magazine, que mostra o que os filmes previram para os próximos quarenta anos.

As unanimidades são os carros voadores, o cenário desolador do futuro e os robôs que subjugam a humanidade, presentes na maioria dos filmes citados no post. Mas alguns objetos e aparelhos já estão bem mais próximos da realidade do que um automóvel alado, ou pelo menos são imagináveis. Roupas que secam sozinhas (como as vistas no 2015 de “De volta para o futuro”) já são instrumento de pesquisa na indústria têxtil. Os scanners de retina do 2054 de “Minority Report”, que possibilitam às lojas saber gostos e preferências dos clientes, soam perfeitamente como um projeto do Google para os próximos anos. E o que dizer sobre os jornais, ainda no mesmo filme, que continuam existindo, mas apenas em formato digital? iPad feelings.

Mas, é claro, como o texto da Smithsonian lembra, isso tudo só será importante se o mundo não acabar em 2012. Leia as “previsões” completas aqui.

Tirinha da semana

23/08/2010

Eu gosto tanto dessa tirinha que ela virou um quadro, pendurado na porta do meu quarto.

(“Mafalda”, Quino)

O mapa da música

22/08/2010

A primeira vez que citei um projeto de criação inspirado pelo visual do Google Maps foi nesse post aqui, sobre o designer Christoph Niemann (que, aliás, valendo uma olhada, publicou recentemente uma série de ilustrações bem legal documentando um voo de Nova York a Berlim). Outro dia, o Twitter me trouxe mais um exemplo engraçadinho do que é possível fazer com a adorada ferramenta do Google para salvar os perdidos.  Um pessoal do site BuzzFeed resolveu transformar letras de música em roteiros de Google Maps. Alguns ficaram bem divertidos e a lista segue crescendo, já que as pessoas continuam colocando suas ideias nos comentários do post. Aí embaixo listo meus três favoritos, com links para as músicas, para quem quiser ouvir. Dá para ver todas as ilustrações aqui.


Where the streets have no name” – U2

“I wanna run/ I want to hide/ I wanna tear down the walls/ That hold me inside/ I wanna reach out/ And touch the flame/ Where the streets have no name”




I’m gonna be (500 miles)” – The Proclaimers (a música é bem ruinzinha, mas o desenho ficou bacana)

“But I would walk 500 miles/ And I would walk 500 more/ Just to be the man who walks a thousand miles/ To fall down at your door”



Midnight train to Georgia” – Gladys Knight and the Pips

“So he pawned all his hopes/ and he even sold his old car/ Bought a one way ticket/ To the life he once knew/ Oh yes he did/ He said he would/ Be leavin/ On that midnight train to Georgia/ And he’s goin’ back/ To a simpler place and time.”


*****

Essas ilustrações, aliás, me lembraram uma outra história, que vi tempos atrás, na Word Magazine. A revista criou (também usando a ferramenta do Google Maps, qual mais?) um mapa colaborativo dos locais onde foram clicadas capas de álbuns de artistas do mundo inteiro. Os próprios leitores podem adicionar seu álbum favorito, e cada entrada tem informações sobre o local da imagem, o fotógrafo e o próprio disco.

No Brasil, por exemplo, tem a clássica foto do Cristo Redentor na capa de “Corcovado”, do Tom Jobim, além do visual da Urca usado por Tony Bennet em “If I ruled the world: songs for the jet set” e da ponte Octavio Frias de Oliveira, em São Paulo, que ilustra o single “Foot of the mountain”, do A-ha. Tudo aqui.

Tirinha da semana – a estreia

16/08/2010

Só porque tenho por meus leitores um apreço imenso (e porque tem dias que só Liniers me salva) resolvi instituir a tirinha da semana, com o simples intuito de diverti-los por alguns segundos (sem ter muito trabalho) e compartilhar as obras de alguns dos meus cartunistas favoritos com vocês. E, já que o assunto da semana é o filme de Christopher Nolan, não podia começar a série de outra forma…

(Ah, a tirinha aí de cima é de “Macanudo”, do Liniers)

Salvem a professorinha indie

16/08/2010

E tem gente que ainda pergunta por que o Guardian é o meu jornal favorito. No mês passado, eles lançaram no blog de música a coluna semanal “Ask the indie professor” (algo como pergunte à “professora de indie”). A teacher em questão chama-se Wendy Fonarow, fez doutorado em Antropologia Cultural na UCLA (onde hoje é professora) e passou os últimos 18 anos estudando a cultura indie e a indústria musical por trás dela.

No primeiro post, ela se apresenta e oferece seus préstimos a curiosos que queiram saber respostas para perguntas cruciais do mundo do rock’n’roll “independente” (ou o que quer que indie signifique atualmente…), tipo “por que todos usam keds e all star?” ou “por que as pessoas preferem gravar os shows em vez de assisti-los?” ou ainda “por que bateristas são os integrantes mais ridicularizados das bandas?”. Brincadeiras à parte, os textos dela são bem interessantes. Nas quatro colunas já escritas até agora, Wendy fala sobre a definição do termo indie, a relação entre cidades chuvosas e sua produção musical, além dos tipos de sapatos mais usados pelos entusiastas do gênero, entre outras questões. Dá para ler todos os post aqui.

O mundo é dos Legos

15/08/2010

Tudo começou na sexta-feira, quando vi a notícia de que o pessoal do Lego lançou esse kit lindo, lindo, da Tower Bridge, em Londres, com direito até a ônibus de dois andares. Numa rápida busca pelo Google Imagens, a impressão é que tudo que existe no mundo já foi representado pelas pequenas pecinhas coloridas de encaixar. E acabei chegando ao site do Nathan Sawaya, um artista plástico americano que cria enormes esculturas apenas com Lego. Desde 2000 ele se dedica ao ofício, que é realmente impressionante. O cara usa cerca de 1 milhão de peças em cada um dos trabalhos. Alguns exemplos:

Outra iniciativa bem legal envolvendo o brinquedinho vem de Angus MacLane, animador da Pixar que, nas horas vagas, cria bonecos para a série CubeDudes, toda feita com Lego. No Flickr dele é possível ver fotos de todos eles, incluindo personagens de filmes, séries de TV, desenhos e quadrinhos. Alguns dos meus favoritos são, na ordem, Slot (“Goonies”), Beetlejuice (“Os fantasmas se divertem”), parte do elenco de 30 Rock, além de Mike e Sully (“Monstros S.A.).



Para finalizar, esse vídeo do artista Ian Mackinnon reproduz um trecho do clipe de “House of cards”, do Radiohead com… adivinhem? Peças de Lego. O original já tinha sua cota de inovação como, claro, tudo que faz o Radiohead. A banda não usou câmeras para gravá-lo, mas um sistema com lasers e luzes estruturais para capturar os movimentos (não tenho ideia de como funciona isso…). No fim, colocaram os registros das “filmagens” à disposição para quem quisesse tentar uma nova versão.  Dá para ver o clipe oficial aqui.

Redes sociais em modelo retrô

05/08/2010

Vi no Urlesque ainda agorinha estes cartazes vintage sensacionais da agência de publicidade brasileira Moma. Eles criaram propagandas retrô de Youtube, Skype e Facebook, estilo anos 50, para um seminário chamado Maximídia. O trabalho é parte de uma campanha chamada “Tudo envelhece rápido”.  Colocaria fácil, fácil na minha parede.

Sexo e bizarrices no cinema

01/08/2010

O Twitter já vinha avisando desde o início da semana que ontem era o Dia Internacional do Orgasmo. E esse post deveria ter ido ao ar ontem, não fosse um piripaque qualquer a acometer o WordPress. Fato é que essa história me lembrou uma lista (ah, sempre elas…) que eu vi essa semana no Terra: as dez cenas de sexo mais esquisitas do cinema. Claro que esquisito é um conceito muito subjetivo, mas algumas coisas são indiscutíveis… para começar, digo apenas o seguinte: “Howard, o pato”! Um dos filmes favoritos da minha infância, o clássico de 1986 tem uma cena romântica que me intriga (ou assusta, sei lá) desde criança. Afinal, não é sempre que se vê, na Sessão da Tarde, alguém transando com uma fantasia de pato. Clássico dos clássicos.

A lista tem ainda dois exemplos de sexo entre brinquedos: uma no engraçado “Team America” e outro clássico, do filme “A noiva de Chucky”.  Jane Fonda em “Barbarella”, Dan Aykroyd em “Os caça-fantasmas” e Sigourney Weaver em “Alien” também protagonizaram saliências dignas da lista. Fotos e a lista completa estão aqui.

Último comentário: o ranking do Terra Cinema tem duas cenas que, bem, não se pode negar que sejam bizarras. Mas fazem absoluto sentido dentro dos filmes em que estão inseridas. Um deles é “Crash – estranhos prazeres”, filmaço de David Cronenberg que mostra a rotina de pessoas que têm tesão em acidentes de automóvel. Pois é. O outro é “Eu, você e todos nós”, o belíssimo filme de estreia da diretora e artista plástica Miranda July. A conversa virtual/sexual/escatológica entre um menino de sete anos e uma mulher adulta seria, fora de contexto, uma das sequências mais toscas do cinema. Mas, na história, chega até a ser bonito. Se quiserem ver:

Alguém lembra de outros exemplos?