Archive for julho \29\UTC 2010

Uma mãozinha para fazer videoclipes

29/07/2010

O Mashable postou, esta semana, uma lista bem legal de clipes e projetos musicais colaborativos, a palavrinha favorita dos especialistas em cultura digital. A receita que inclui uma relação estreita entre fãs e artistas, a maravilhosa e revolucionária internet, além da ajudinha de uma boa ideia, pode dar resultados bem interessantes.  Na lista do site estão o The Johnny Cash Project, sobre o qual eu já falei aqui, e o clipe do Sour, “Hibi no Neiro”, também já citado neste humilde blog.

Entre os outros exemplos, destaco três. A banda holandesa C-Mon & Kypski lançou o site “One frame of fame” com o objetivo de angariar colaboradores para o clipe “More is less”. Até agora, quase 20 mil pessoas já participaram do projeto, que é bem simples. Você entra no site, a banda te mostra um frame do vídeo, você imita a pose para a webcam e, voilá, está pronto. Depois, eles misturam as imagens da galera às deles mesmos. Bem legal:

Outra iniciativa bacana é a do clipe “I’ve got nothing”, do ChartJackers. Mas é o típico caso da ideia ser mais legal que o resultado final. Promovido pela BBC e pelo Youtube, o projeto pretendia arrecadar grana para a campanha Children in need, popular no Reino Unido. A letra da música foi escrita a partir de comentários encontrados no Youtube, a melodia foi feita pelos usuários do site, que se inscreveram ainda para formar a banda que tocou a canção. As imagens do clipe, interpretações literais da música, foram enviadas também por internautas. Parece que não rendeu o dinheiro esperado, mas vale a olhada.

Por fim, o clipe incrível de “Dull flame of desire”, parceria da islandesa Björk com o cantor Anthony Hegarty (o “Anthony and the Johnsons”), foi dirigido por três pessoas diferentes. A história começou com a música anterior da cantora, “Innocence”. Björk lançou na internet um concurso para escolher um clipe dirigido por um fã. Os inscritos agradaram tanto que ela selecionou três para colocar “Dull flame of desire” na tela. Ela e Anthony gravaram a si mesmos em frente a uma tela verde e entregaram tudo para que três diretores – um na Espanha, um na Alemanha e outro no Japão – fizessem o que desse na telha. O resultado é muito bom:

O Mashable ainda dá uma bela dica, que certamente vai me render horas navegando: o site Genero.tv. Os artistas estabelecem parcerias com o portal e promovem concursos para escolher, entre vídeos enviados pelos fãs, o clipe oficial de sua música. Os vencedores ganham um monte de prêmios e os artistas ainda economizam… O único que eu vi foi o escolhido para a canção “Wait for me”, do Moby. Coisa fina:

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Uma novidade a cada clique

26/07/2010

Enquanto pesquisava referências musicais na internet para esta matéria publicada hoje na revista Digital, encontrei um site incrível que acabei nem citando por falta de espaço. O The sixty one é um belo veículo para conhecer bandas novas e funciona de um jeito super simples e eficaz. Assim que o usuário entra no site, já recebe de cara uma música. Se gostar, ouve até o final e ainda fica sabendo mais sobre a história do grupo/cantor. Se gostar muito mesmo (e já estiver cadastrado), clica no coraçãozinho e aumenta as chances da canção ficar – ou manter-se – entre as principais do site. Se não gostar, basta clicar na setinha e ouvir a próxima.

Há uma série de outras funcionalidades que ainda estou explorando. É possível navegar pelas canções mais populares e também se aventurar pelas mais obscuras, além de escolher as músicas de acordo com seu estado de espírito: “happy”, “crazy”, “trippy”, “smooth” e mais alguns outros. Fato é que em apenas alguns dias, o The sixty one já me viciou em dois novos exemplares musicais.

A primeira é a holandesa Caro Emerald e seu divertido single “Back it up”. A cantora que, como eu, adora uma flor no cabelo, lançou seu primeiro álbum, “Deleted scenes from the cutting room floor, em janeiro deste ano. Ela se formou em canto de jazz no Conservatório de Amsterdã e, por isso, costuma ser definida por aí (na Wikipédia, por exemplo) como uma cantora de jazz. Ela é, mas também é bem pop. A voz é poderosa e doce, e o climinha retrô é absolutamente delicioso. Acho que, em alguns momentos, ela tem um quê de Amy Winehouse, mas com letras um tantinho menos inspiradas. Torçamos para que a semelhança fique só na música mesmo. Outras músicas bacanas como “The other woman”, “A night like this” e “Riviera Live” estão no MySpace dela, ouve lá.

Já a banda americana Miniature Tigers é um pouquinho mais experiente. Acabou de cair na internet o segundo álbum dos rapazes, chamado “Fortress”. Ainda não ouvi. Mas se for parecido com o primeiro, “Tell it to the volcano”, de 2008, é só alegria indie. É música fofinha, com cara de passeio de bicicleta num parque florido, ou algo do tipo. Mas tem guitarra também.  “Cannibal queen”, o single, é uma graça e não sai da cabeça. Tem outras um pouquinho mais tristes e praticamente todas as letras – como as da maioria das bandas ultimamente – falam sobre amor. Perdido, encontrado ou esperado. “The wolf” e “Annie Oakley” são possivelmente minhas favoritas. Ah, e o clipe de “Cannibal queen” é doidinho:

Brincando de música com o Pato Fu

25/07/2010

Embora não esteja na minha lista de favoritos – e, sinceramente, às vezes até esqueço que eles existem – o Pato Fu é uma banda que sempre admirei. Eles têm boas músicas, são criativos, divertidos e ainda por cima parecem gente boa. Realmente não sei porque não dou mais atenção a eles. Li essa semana no Twitter de alguém (perdoem a falta de um crédito mais certeiro) que a banda está prestes a lançar o álbum “Música de brinquedo”. São versões de canções tão variadas quanto “Frevo mulher”, “Love me tender”, “Ovelha negra” e “My girl”, só que tocadas apenas com instrumentos de brinquedo!

Eles documentaram parte dos ensaios com fotos, vídeos e textos no site oficial, cujo layout está todo fofinho já com a cara do projeto.  Parece que o resultado vai ser bem interessante. Filhos e sobrinhos participaram das canções, deixando tudo com ar ainda mais infantil. Duas músicas já têm vídeos que documentam suas gravações no site: “Primavera” e “Live and let die”. Coisa mais fofa do mundo. Dá uma olhada , com as explicações da banda. Ou nestes aqui, tirados do Youtube:

Sobre cartões-postais e personagens

23/07/2010

O pessoal do blog Ilustrada no cinema descobriu essa semana um projeto bem legal chamado “Postcards to Alphaville“. O site reúne ilustrações que homenageiam personagens marcantes (ou não) da história do cinema. Cada artista (você, caro leitor, pode se candidatar também se quiser) escolhe um filme e usa a imaginação para oferecer sua visão sobre determinada figura fictícia.

Entre meus favoritos estão, coincidentemente, imagens de filmes que moram no meu coração. Os dois de David Lynch que figuram na lista, por exemplo, estão ótimos: o homem assustador, misterioso e sem sobrancelhas de “Estrada perdida” e o inesquecível Frank (belo trabalho de Dennis Hopper, que Deus o tenha) de “Veludo Azul”.

O Bob Harris de “Encontros e desencontros” também é uma perfeição, assim como a simétrica ilustração do robô Hal 9000, de “2001, uma odisséia no espaço”, cheio de sentimentos. O trabalho com texturas na representação do jurado número 4 de “Doze homens e uma sentença” merece uma olhada. Aliás, cliquei no site da artista, Gediminas Šiaulys, e é bem interessante. Vai lá dar uma navegada entre todos eles, clicando aqui.

O site é bem feito, com navegação muito simples e agradável. É possível ordenar as imagens por filme, personagem ou artista, além de conhecer melhor os ilustradores em seus blogs e sites pessoais, disponíveis em cada desenho. O “Postcards to Alphaville” é idealizado e editado por um certo Paul Paper, que descobri ser um rapazinho de 25 anos nascido na Lituânia e cheio de projetos. A ideia do jovem é lançar o resultado do trabalho em livro, e o site tem até uma ferramenta para quem quiser doar uma grana e ajudar a colocar as ilustrações no papel. Taí um livro que eu compraria fácil…

Rapidinhas do Twitter II

16/07/2010

Só para constar, coisas interessantes que estão rolando na minha, sua, nossa rede social favorita.

1- O efeito Apple

O pessoal do blog P2P, do Estadão, achou um post bem legal no Mashable sobre as bandas que tiveram um empurrãozinho da Apple para divulgar suas músicas. Os iPods, MacBooks e toda a parafernália produzida pela empresa da maçãzinha cool são objetos do desejo de todo geek. Nada melhor do que associar sua canção a esses produtos. Bandas como Jet, The Ting Tings e até os brasileiros do Cansei de ser sexy se aproveitaram da ajuda ao servir de trilha sonora para os comerciais de alguns desses aparelhos. Dá para ver todos aqui. (via @link_estadao)

2- O filme do Facebook

A ideia de filmar a história do Facebook parecia bizarra desde a primeira vez que ouvi falar de “The social network”. Mas o filme me ganhou depois desse belo trailer e da versão fantasmagórica de “Creep” na trilha sonora. É filme adolescente, porém honesto. Com direito a intrigas e bastidores da vida real. Curti. (via @kaducastro)

3- Inception

Não se fala em outra coisa no noticiário cinéfilo. O novo filme de Christopher Nolan (o mesmo de “Cavaleiro das trevas”) estreou essa semana nos Estados Unidos e choveram boas críticas na imprensa mundial (tão boas que já estou começando a desconfiar. O blog de cinema do Guardian até fez um post sobre isso, aqui). No Twitter, dois links interessantes. Um é o prólogo da história, em formato de história em quadrinhos, disponível para sua leitura, querido leitor (via @leandrojmp). Outra dica é o vídeo abaixo, um trecho de cinco minutos do filme (via @papelpop).  Chega à Terra Brasilis em 6 de agosto.

Johnny Cash a 7680956 mãos

05/07/2010

Meu dia fica até mais feliz quando descubro algo incrível como o The Johnny Cash Project. Dirigido pelo americano Chris Milk, que já assinou videoclipes de artistas como Kanye West, U2 e Audioslave, o projeto pretende criar um “retrato vivo” do Homem de Preto a milhares de mãos. Funciona assim: usando uma imagem modelo, uma ferramenta de desenho e um tanto de inspiração, cada um pode criar um frame para o vídeo de “Ain’t no grave”, canção do álbum póstumo de Cash lançado em fevereiro deste ano.

Todas juntas, as imagens se convertem num videoclipe cujo desenvolvimento não acaba nunca. A ideia é que mais pessoas participem a cada dia e que haja várias versões para o mesmo frame. Consequentemente, é possível assistir a várias versões do mesmo clipe. O próprio site dá opções: pode-se optar pelos desenhos mais realistas ou mais abstratos, entre outras categorias. Tô pensando em fazer um.