Archive for junho \29\UTC 2010

América do Sul para inglês ouvir

29/06/2010

Paul McInnes, um dos caras que escreve no blog de música do Guardian, faz toda semana uma brincadeirinha com seus leitores. Ele posta um tema e os bravos internautas sugerem canções relacionadas a ele. Na semana seguinte, a partir das sugestões, ele monta um álbum, com direito a lado A e lado B.  No último dia 18, talvez inspirado pelas boas apresentações do continente na Copa do Mundo, ele propôs uma eleição só com músicas sobre a América do Sul.

Foram quase mil comentários que impressionam pela variedade. Tem música peruana, boliviana, argentina e, claro, muita música brasileira. A maior parte das 20 canções que compõem a lista final vem do meu, seu, nosso Brasilzão de meu Deus.  Mas também tem música americana e inglesa, porque o desafio era encontrar composições que versassem SOBRE o continente.

Das óbvias “Tropicália”, com Caetano Veloso, e “Corcovado”, na versão de João Gilberto e Stan Getz,  vamos até o “Rap das armas”, de Júnior e Leonardo, e “Ratamahatta”, do Sepultura. E isso só no lado A.   O lado B tem coisas inusitadas como “There’s an awful lot of coffee in Brazil“, uma reclamação bem-humorada de Frank Sinatra sobre a mania dos brasileiros de não beber outra coisa (será que ele conheceu caipirinha?) e a bela “The suspension bridge at Iguazu Falls“, dos americanos do Tortoise.

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Videogame no papel

19/06/2010

Depois do Google ter criado um joguinho estilizado de Pac-man para comemorar os 30 anos dos bonequinhos (aliás, ainda dá pra jogar aqui), entrei numa vibe nostálgica. Eu nunca tive videogame na vida, mas praticava bastante nas maquininhas dos amigos e primos. Confesso que nunca joguei muito bem, mas adorava Super Mario, meu favorito supremo até hoje. Nos últimos tempos, além do Pac-Man do Google, tenho buscado as versões online dos jogos dos irmãos Mario e Luigi e encontrei vários, tipo esse aqui. Pena que jogando com as teclas do computador eu seja ainda pior do que com joystick. Raramente passo da primeira fase. Foi nesse clima que, essa semana, encontrei esse vídeo incrível no blog do Alexandre Matias, do Estadão: Mario feito com post-it em stop-motion:

Aperte o play e vá parar no Guggenheim

16/06/2010

Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. A frase é velha, o cinema era novo, mas a máxima ainda vale para quem tiver pretensões de participar da Youtube Play, primeira Bienal do Vídeo Criativo, que rola em outubro, numa parceira entre o site de vídeos do Google e o museu Guggenheim. A câmera nem é item obrigatório. Pode ser substituída por um celular, por exemplo. Mas a ideia na cabeça é. E tem que ser criativa. O concurso, que já tem quase 5 mil inscritos, vai escolher cerca de 20 vídeos para serem exibidos no Museu Solomon R. Guggenheim, em Nova York, e simultaneamente também nas filiais de Berlim, Bilbao e Veneza.

A curadora-chefe do Guggenheim, Nancy Spector, explica, no vídeo de apresentação, que o objetivo do concurso é levar as mídias digitais para dentro do museu e aprender com este fenômeno, uma vez que arte deve ser sempre transformadora. Para se inscrever, basta ter uma conta no Youtube, fazer o upload e ir à página do Youtube Play. O vídeo pode ser em animação, narrativo, documentário, videoclipe ou em qualquer outro formato. Basta ser inovador e original. Um júri de especialistas escolherá os finalistas, que serão exibidos no dia 21 de outubro. Depois, todos ficarão disponíveis também na página do Youtube Play.

Fiquei aqui tentando pensar em vídeos criativos que eu já tenha visto na grande rede. Certamente já houve milhares, mas a memória é mesmo uma das minhas piores inimigas. Então, deixo dois dos meus exemplares favoritos com vocês. Um é o clipe “Hibi no neiro”, da banda japonesa Sour, uma gracinha feita de boas ideias e ajuda dos fãs. E o outro é o vídeo em stop-motion do meu querido Zé Brandão, feito para o baile Curinga. É super divertido e combina com a sensacional música do Hypnotic Brass Ensemble.

Alguém indica outros?

E, no dia dos namorados… casamento!

12/06/2010

Para começar, uma confissão: acho casamento um negócio cafona. Não consigo gostar dessa coisa de vestido estilo bolo, bem-casados, arranjos de mesa, lembrancinhas, etc, etc. É verdade que ocasionalmente eu até acabo chorando. Mas uma cerimônia de casamento nunca esteve na minha lista de sonhos da vida, embora eu respeite as muitas mocinhas que cultivam esse desejo (cada uma com seu sonho… um dos meus é morar em Londres, o que alguém por aí também deve achar cafona).

Sem perder muito o fio da meada, o fato é que uma epidemia casadoira parece estar tomando conta dos meus amigos. Normal, vocês diriam. É a idade. Mas estar em contato com tantos preparativos de casamentos nos últimos tempos tem me chamado a atenção para este mundo. E, depois que a Gabi publicou no Tangerinnas umas fotos do pessoal do Our labor of love, fiquei obcecada com as tais imagens do casamento.

Nada daquelas poses clássicas, cenários conhecidos, padrinhos caretas. O estúdio capitaneado pelo casal Jesse e Whitney em Atlanta, nos EUA, é disparado o meu favorito. As três primeiras fotos do post são deles e do resto da equipe que compõe o Our labor of love. O que eles têm? Luzes incríveis e ideias bacanas de composição. Basicamente, é isso. Ainda que tenham sido necessárias horas de pose para conseguir o clique, o resultado é muito natural. E vendo álbuns de diversos casais, dá para notar a preocupação em captar um tanto da personalidade dos noivos, já que todos têm características diferentes. Então fica combinado assim: se um dia eu resolver aderir à cafonalha (ou só a uma parte dela), vou trazer Jesse e Whitney da gringolândia para fotografar. Basta desembolsar um mínimo de US$ 4.200…

Outro americano famoso por fotografias românticas e delicadas, Max Wanger tem alguns exemplares bem interessantes no seu site, como esse aí acima. Ele faz uma espécie de meio termo: tem foto do convite, das mesinhas de comida, tudo como manda o protocolo. Mas ele também põe os casais em paisagens lindíssimas ou inusitadas e faz fotos, inclusive, de festas de noivado ou de casais que simplesmente queiram colocar o amor em imagens, casando ou não.

Mas a criatividade por si só não garante boas fotos. Há quem pese tanto a mão que consiga estragar boas ideias. No caso das fotos do pessoal da altf, tanta produção faz as imagens parecerem uma espécie de catálogo de moda. Perde-se assim a naturalidade e o tal do sentimento que, acho eu, deveria ser visível em fotos de casamento. E volta a cafonice. Mas tenho que admitir: a foto inspirada no Mágico de Oz é foda. Vou querer no meu álbum.

Vai uma balinha? E um chiclete?

08/06/2010

(Tudo à venda na Neatoshop.com)

David Lynch faz propaganda? Eu compro.

07/06/2010

Há umas duas semanas, a Dior lançou na internet a terceira parte da campanha espetacular que vem fazendo para promover sua nova bolsa, a Lady Dior. Trata-se de um curta-metragem de 16 minutos realizado por David Lynch e protagonizado pela garota propaganda da marca, a francesa Marion Cotillard. O conjunto da obra é um espetáculo visual. Começa com “Lady Noire“, filminho de 8 minutos ambientado em Paris e dirigido por Olivier Dahan, que já havia trabalhado com a atriz em “Piaf – um hino ao amor”. O segundo capítulo é “Lady Rouge“, uma espécie de videoclipe para a música “Eyes of Mars”, composta especialmente pelo grupo Franz Ferdinand para a Dior. No vídeo, gravado em Nova York, a própria banda aparece acompanhando a “cantora” Cotillard. No belo site da Dior, tudo isso ainda vem acompanhado das fotos da campanha, não menos incríveis – a versão vermelha, por exemplo, foi clicada pela super hypada Annie Leibovitz.

Mas é no vídeo de Lynch que a campanha ganha ainda mais status de obra de arte. “Lady Blue” coloca Cotillard em Shangai, como uma mulher que tem a impressão de já ter estado naquela cidade estranha. Algumas das melhores características do cineasta estão ali: seu uso de cores e sons, os planos, a direção de atores, a atmosfera de sonho… É absolutamente arrebatador o que esse homem consegue fazer com as imagens! E isso tudo em apenas um comercial. É possível assistir no próprio site da Dior ou no Youtube em duas partes. A primeira, abaixo, e a segunda, aqui.

Confesso: fiquei afim da bolsa.

E esta não é a primeira vez que Lynch dirige um comercial: a relação do cineasta com a publicidade é antiga. Neste site sobre o trabalho do diretor há vários exemplos. O repertório vai de comerciais de perfume até anúncios de teste de gravidez! Ele faz graça no vídeo para a marca de café japonesa Georgia com os personagens da série Twin Peaks e mostra seu (bastante conhecido) lado bizarro no filmete feito para o lançamento do videogame Playstation 2. Mas nada é melhor do que ver Lynch sendo sombrio e assustador num comercial de saúde pública. A peça chama a atenção dos novaiorquinos para a infestação de ratos provocada pela sujeira. Impagável:

O filme do Liniers (com várias historinhas antes)

05/06/2010

A primeira vez que eu ouvi falar do Liniers foi, possivelmente, ali pelo longínquo ano de 2006 (aliás, muitíssimo obrigada por isso, @gc_freitas).  E acho que dá para falar que, se hoje eu gosto muito de quadrinhos, há dois responsáveis por isso: a Turma da Mônica, quando eu tinha 6 anos, e o Liniers, quando eu tinha 23.

O cartunista argentino é um dos mais respeitados dibujantes da safra contemporânea do país vizinho. Ele publica, diariamente, sua tirinha “Macanudo” no La Nación, principal jornal da Argentina. Desde a primeira coisa que eu li dele (e olha que foram muitas até hoje) nunca encontrei nada que fosse ruim ou equivocado. As tirinhas do Liniers são inteligentes, delicadas e sensíveis, mas também engraçadas, sacanas e deliciosamente nonsense. Virou uma obsessão na minha vida.

Na primeira vez que fui a Buenos Aires, resolvi comprar “Macanudo nº 1”, primeiro volume da coletânea de tirinhas do cartunista. Acabei saindo da livraria com os quatro que já haviam sido lançados. No ano seguinte, logo após o lançamento do quinto livro, uma conhecida foi à cidade e não consegui evitar: tive que fazer a encomenda. No final de 2008, a Zarabatana Books trouxe “Macanudo” pela primeira vez ao Brasil, com versão em português. E lá fui eu sugerir matéria para aquele veículo de grande circulação onde eu trabalho. Foi uma das poucas vezes que entrevistei uma pessoa que realmente admiro e o resultado, modéstia à parte (mais por causa das respostas dele do que do meu texto, é bom dizer), ficou bem legal.

Nesta entrevista, fiquei sabendo que em poucos meses seria lançado “Macanudo nº 6”. Com um detalhe: todas as capas dos 3 mil exemplares da primeira edição seriam desenhadas à mão pelo argentino. Quase chorei de tristeza ao constatar que, sendo Liniers um cara já bem famoso no país, esta primeira edição ia voar das livrarias e eu nunca chegaria nem perto dela. Voltei a Buenos Aires pouco depois disso, já conformada em comprar a segunda edição. E nem esta eu encontrava nas lojas. Depois de uma peregrinação por dezenas de livrarias da cidade, achei o pote de ouro no fim do arco-íris: uma loja fofa, na Rua Thames, em Palermo (Boutique del libro, super recomendo), ainda tinha alguns dos livros que certamente deixaram o pobre dibujante cheio de calos. O vendedor da loja deve ter me achado uma louca, tamanho foi meu entusiasmo.

Na mesma viagem, ainda levei para casa o “Bonjour”, coletânea das primeiras tirinhas do Liniers. É um livro impagável, da época em que ele exercitava um humor ainda mais mordaz e inacreditável. Ficou faltando o “Oops!”, trabalho então recém lançado em parceria com o músico Kevin Johansen. Mas os pesos estavam restritos e esse teve que ficar para a próxima. Quando, aliás, também vou precisar adquirir o “Macanudo nº 7”, que saiu no ano passado. Sim, eu disse que era obcecada. Meu gato se chama Fellini.

Mas a verdade é que toda essa historinha era apenas preparativo para contar a real novidade. Ainda bem que este blog é meu e posso colocar o lide no pé quando eu quiser. Descobri no Urbe que foi lançado, anteontem, na Argentina, o documentário “Liniers, el trazo simple de las cosas”, sobre a vida e o trabalho do cartunista. Dá para ver o trailer aqui. Disponível em breve num computador perto de você.