Archive for maio \31\UTC 2010

A fofura de Takeshi Kitano

31/05/2010

Eu achei incrível quando vi, em março, a notícia da exposição que o cineasta japonês Takeshi Kitano inaugurou na Fundação Cartier, em Paris. Cheguei a sugerir uma matéria para aquele veículo de grande circulação onde eu trabalho, mas não me deram muita atenção. Recentemente, quando li sobre o novo filme do diretor, “Outrage”, exibido no último festival de Cannes, a história me voltou à memória. E já que a mostra fica em cartaz até setembro, acho que ainda vale o post.

A exposição se chama “Gosse de peintre” (algo como criança pintora, ou algo parecido) e mostra pinturas, instalações, máquinas e objetos criados pelo cineasta-artista, todos com um toque infantil, colorido, ingênuo e, vez ou outra, meio bizarro. O que há de sensacional nisso é que Takeshi Kitano é conhecido pela violência explícita e por vezes chocante de alguns de seus filmes. Aparentemente, seu novo longa, “Outrage”, tem até cena de gângster da Yakuza torturando um desafeto com uma broca de dentista. Dá para imaginar o homem por trás disso pintando cenas fofinhas, com gatinhos, peixinhos e balões coloridos ? Pois é. Para continuar no mundo cinematográfico: os brutos também amam. Ou as aparências enganam. Ou outra frase clichê qualquer.

O apuro estético habitual dos filmes do japonês contribui para entender melhor sua ligação com a arte. Kitano diz que, com esta mostra, tenta expandir a definição de arte e torná-la menos convencional, menos esnobe e mais acessível a todos.  No site da Fundação Cartier é possível dar uma olhada em algumas das imagens em cartaz. Quem estiver pensando em passear por Paris, pode conferir tudo in loco até o dia 12 de setembro.

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Um clipe para chamar de seu

29/05/2010

Frustrações musicais da vida: não saber tocar nenhum instrumento, cantar horrivelmente, nunca ter feito um clipe… Opa! Este último item foi parcialmente resolvido graças ao pessoal do Labuat e sua música fofinha “Soy tu aire”. A banda, formada na Espanha em 2008, é o resultado da reunião da dupla do Pinker Tones (um grupo pop de Barcelona) com a vencedora do reality show Operación Triunfo que, aparentemente, é uma espécie de American Idol da Espanha (ok, eu sei que parece bizarro, mas a música é boa).

No ano passado, ao lançar seu primeiro álbum, os músicos do Labuat resolveram adotar uma estratégia diferente para divulgar o single e pediram ajuda aos criativos diretores de arte da Herraiz Soto & Co. (aliás, vale ver o site deles, tem uns trabalhos bem simpáticos). O resultado foi esse site aqui, onde eles convidam você, eu e todos nós a dar pitaco no clipe. A proposta é até bem simples: uma espécie de pincel que “escuta” a música e reage a seus movimentos. No fim das contas, cada um “desenha” um clipe diferente, dependendo de onde a música te leve. O site vai gravando seus movimentos e, no final, é só apertar play para ver como ficou.

Não satisfeitos, eles ainda adaptaram o mecanismo para controles de Wii (o videogame) e levaram para a rua. Vejam no vídeo a reação das pessoas enquanto pintam seu próprio clipe nas paredes da cidade.

Capturei, aí em cima, um trecho da minha obra de arte. Agora, só falta aprender a tocar violão…

We all get the slip sometimes everyday

22/05/2010

Só para avisar que não, eu não morri. E que sim, este blog voltará a ser atualizado um dia. Em breve.

Para me desculpar, ofereço um gesto carinhoso para meus 5 leitores: a música e o clipe mais fofos dos últimos tempos.

Olha o passo do elefantinho

09/05/2010

A partir da esquerda: o soldadinho, o "fish and chips", o mapa de londres e o elefante autoexplicativo

 Depois das vacas, é a vez dos elefantes. A Elephant Parade vai levar 250 bichinhos que receberam intervenção de artistas e celebridades para as ruas de Londres de maio a julho. No final, os discretos animais são leiloados ou vendidos, e a grana vai servir para ajudar instituições de caridade e, bem, os elefantes da Ásia. 

Quem não quiser ter um proboscídeo gigante dentro de casa pode comprar as miniaturinhas na loja online. Entre os artistas que desenvolveram os looks para as esculturas estão três brasileiros: Bruno Paschoal Cepollina, Fernando Pires Jorge e Mariana Bassani. Veja mais fotos dos fofinhos aqui.

Sabe aquela música, daquela banda?

08/05/2010

Ok, antes de tudo, anotem este nome: The bird and the bee. Minha nova obsessão musical temporária. Semana passada, enquanto gastava horas das minhas últimas madrugadas de férias procurando vídeos da banda, achei o cover gracinha que eles fizeram para a música “Don’t stop the music“, da Rihanna. Imediatamente me ocorreu escrever um post sobre covers.

Mas, como coincidências não existem, eu logo ficaria sabendo que, felizmente, alguém já fez este trabalho melhor que eu. No dia seguinte, o twitter do site Scream & Yell indicou o blog “1001 covers para se ouvir antes de morrer“, belíssima ideia inspirada no livro “1001 discos para ouvir antes de morrer”, que traz as opiniões de 90 jornalistas e críticos de música sobre… bem, os discos que você precisa ouvir antes de morrer.

Não sei muito bem quantas pessoas abastecem o blog, mas é um trabalho bastante ambicioso. Até a presente data, o “1001 covers” contabiliza 141 canções, que vão desde a conhecidíssima versão de “Please, Mr. Postman“, dos Beatles (sim, é um cover da banda The Marvelettes) à obscura leitura punk de “Samba do Arnesto” feita pela (injustamente)  esquecida banda dos anos 90 Little Quail and the Mad Birds. É isso mesmo. Olha aí:

Ainda no blog, há covers que eu adoro como “Hurt“, com Johnny Cash (que acho incrivelmente melhor do que a original, do Nine Inch Nails), “I just don’t know what to do with myself“, com White Stripes (a voz estranha e as guitarras de Jack White fazem desta a minha versão favorita da música de Burt Bacharach) e “Always on my mind“, com Pet Shop Boys (outra que mora muito mais no meu coração do que a original, do Elvis). Os que eu não conhecia e achei incríveis: Billy Corgan, que fofo!, no meio da rua cantando “It’s a long way to the top“, do AC/DC, é uma graça. O pessoal do Cardigans também transformou em fofura o peso de “Sabbath Bloody Sabbath“, originalmente na voz de Ozzy Osbourne. E o que dizer de Los Fabulosos Cadillacs e sua versão ska para “Strawberry fields forever“, dos Beatles? Com direito a letra em espanhol e participação de Debbie Harry! Veja, por favor:

Uma das minhas bandas favoritas, o Radiohead também é, possivelmente, uma das maiores fontes de bons covers. Recentemente caiu na internet, por exemplo, essa releitura de “No surprises” feita pela Regina Spektor. Lindinha. Menos linda e mais farofa é a versão retrô e animada de “Creep”, que saiu da mente perturbada de Richard Cheese, um cara que faz cover engraçadinho de qualquer coisa que você imaginar. Só a introdução já é impagável:

E essas criancinhas do PS22 Chorus, o coral de escola mais famoso do mundo (segundo o pessoal do “1001 covers”), cantando “Lisztomania“, do Phoenix? Dá vontade de chorar de tão fofo. Mas, se você quiser mesmo ver uma lágrima rolando neste rosto, é só colocar para tocar esse cover de “Hey Jude” feito por uma multidão na Trafalgar Square, em Londres. Coisa linda:

Ai, tem um monte de outras coisas, mas não quero me estender mais. E o Nouvelle Vague? O projeto de covers do Beck? Bill Murray (ídolo) revivendo “More than this“? E o que mais? Digam aí.

O final de Lost e mais cartazes incríveis

04/05/2010

Não sei se está acontecendo com todas as outras pessoas que, desde 2004, acompanham a saga dos sobreviventes do vôo 815 da Oceanic numa ilha maluca que tem ursos polares, bolsões eletromagnéticos, é a rolha do mal e tudo o mais. Mas tenho que confessar que o final de “Lost” está me dando um aperto no coração. Independentemente de toda a discussão sobre a qualidade da última temporada, as questões não respondidas, etc, etc, vai ser estranho não ficar esperando a semana inteira para baixar um episódio que só te deixa com mais vontade que a outra semana chegue logo. E de correr para a internet para ler todos os comentários assim que acaba. E assim, sucessivamente, durante uns 4 ou 5 meses, até vir aquela mid-season do inferno e te deixar esperando pela próxima temporada. Meses a fio. Depois de seis anos acostumada a essa rotina, vou ter que achar outro objeto de vício.

Mas todo esse preâmbulo sentimental foi apenas para apresentar o trabalho do designer Gideon Slife, que descobri nesta matéria do UOL Cinema. Ele cria cartazes para cada um dos episódios da série, desde a primeira temporada. São de um bom gosto incrível e, além de imagem e nome do episódio, trazem uma frase importante dita naquele capítulo. Ele ainda está no quinto ano da série, mas posta em seu Flickr um novo poster todos os dias. Muito nostálgico ficar navegando pelas imagens de seis, cinco, quatro anos atrás. A verdade é que não lembrava de um milhão de coisas. E outro milhão de coisas, vamos admitir, foram só enrolação mesmo. Mas, além de trazer de volta à memória alguns dos meus episódios favoritos (como “Greatest hits“, quando chorei litros, e “Through the looking glass“, o melhor final de temporada de todos os tempos), os cartazes do Sr. Slife reacenderam o meu projeto de, ao final da série, assistir tudo de novo. Será que eu consigo? Acho que só assim vou me desapegando aos poucos.