Luz, câmera, música

Depois de escrever sobre Spike Jonze no post anterior, fiquei lembrando de alguns clipes dele e do Gondry e resolvi fazer uma pesquisinha para buscar clipes feitos por diretores de cinema. Revi alguns que eu adoro, descobri uns novos e listei aí embaixo os meus favoritos.

No quesito quantidade, acho que ninguém bate Michel Gondry, o francês mais legal da dupla clipe-filmes. Ele não apenas tem boas ideias, dirige clipes fantásticos mas ainda escolhe artistas bacanas como parceiros. E, se a música é boa, combina ainda mais com os clipes dele. Os meus favoritos, por critérios puramente afetivos e difíceis de explicar, são “Bachelorette”, da Björk, e “Let forever be”, do Chemical Brothers.

Uma característica interessante dos clipes do Gondry é como, em vários deles, ele utiliza a própria música e os instrumentos para dirigir as imagens. É o caso de “Star guitar”, do Chemical Brothers. O vídeo nada mais é que uma câmera, dentro de um trem, filmando a paisagem. Mas ele insere os prédios e estruturas da paisagem de acordo com as batidas e os elementos musicais que a canção oferece. Viagem pura! Já em “Around the world”, do Daft Punk, ele promove uma bizarra festa de halloween em que cada um dos “grupos” fantasiados representa um elemento da música: bateria eletrônica, voz, guitarra, baixo e sintetizador. Em “The hardest button to button”, do White Stripes, a bateria de Meg e a guitarra de Jack são duplicados, repetidos e multiplicados zilhões de vezes a cada batida.

Spike Jonze também tem uma bela coleção de vídeos musicais na carreira em parceria com artistas como Beastie Boys e Sonic Youth. É dele o clássico clipe de “Praise you“, do Fatboy Slim, com um grupo dançando a música toscamente na porta de um cinema. Descobri na Wikipedia que o vídeo engraçadinho foi gravado de um jeito bem mambembe mesmo, sem pedir autorização nem nada.  No outro extremo, o bizarro e polêmico clipe de “Y Control“, do Yeah Yeah Yeahs,  traz a cantora Karen O. acompanhada de criancinhas assustadoras, que decepam as mãos umas das outras e chutam um cachorro morto! O meu favorito dele é, claro, “Buddy Holly”, do Weezer, que simula uma apresentação da banda no programa “Happy Days”, famoso nos EUA na década de 70.

Meu diretor favorito, David Lych também tem sua experiência no mundo da música. Ele experimentou com animação no clipe de “Shot in the back of the head”, do Moby. É desenho animado mas é sombrio, assustador e meio maluco. A cara dele.

Cores saturadas, slow motion, sedução: é Wong Kar-Wai e o lindo vídeo para a música “Six days”, do DJ Shadow.

Jonathan Dayton e Valerie Farris, diretores da fofura “Pequena Miss Sunshine”, foram os responsáveis por dois dos clipes mais emblemáticos da minha adolescência nos anos 90, ambos do Smashing Pumpkins. “Tonight, tonight” pode parecer uma simples releitura de  “Viagem à lua”, filme francês de 1902. Mas é tão bem feito e o clima combina tanto com a banda e a música…. Já “1979” faz todo mundo sentir saudade da adolescência, mesmo que ela não tenha sido nada parecida com aquilo.

Por último, mas não menos importante, o queridinho John Cameron Mitchell, de “Hedwig” e “Shortbus” faz o fofo no clipe da música “First day of my life”, coisinha bonitinha da banda Bright Eyes.

E aí, lembram de outros clipes e diretores?

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6 Respostas to “Luz, câmera, música”

  1. Tati Says:

    Estou adorando o blog. Não me faz perder tempo lendo cadernos de cultura com matérias chatas. Esse post está ótimo. Thaisinha analisando os clipes, as intenções dos diretores, e cheio de referências.

  2. ronaldo Says:

    Há muitos anos (nossa, to ficando velho) saíram três coletâneas de clipes e curtas de diretores que eram ainda novidades na época, os seus queridinhos Jonze, Gondry (esse também é meu) e um inglês never heard chamado Chris Cunningham.

    Lembro bem apenas desse clipe aqui do inglês: http://www.youtube.com/watch?v=EjAoBKagWQA&feature=fvw

    Se eu não me engano, o David Fincher também começou no formato. Aliás, isso dá uma boa pauta: a estética clipeira que amaduresceu.

    (Fui conferir e Fincher dirigiu clipes da Madonna. E, detalhe: o Cunningham trabalhou nos efeitos especiais do “Alien3”, que foi dirigido pelo Fincher. É uma panelinha.)

    Mas não vejo mais clipes. Como a mtv não passa mais música, e como o youtube não é um lugar onde se acha coisas – mas se perde coisas – estou defasado em relação a novidades na área. Outra pauta: quem são os novos clipeiros?

    bjs

    • thaisbritto Says:

      O Chris Cunningham é bacana, além desse da Bjork ele dirigiu alguns clipes legais do Aphex Twin que vi enquanto tava pesquisando. O Gondry é sensacional, nunca vi nada ruim dele. Vi todos os clipes e curtas no ano retrasado, se não me engano, quando teve uma mostra dele no Curta Cinema.
      Mas essa história dos novos clipeiros é uma boa pauta mesmo! Vou procurar…

  3. maia Says:

    Faltou aí (ou não, não li com tanta atenção assim) o maior clássico videoclíptico dos anos 90: “100%”, do Sonic Youth. Época em que Jason Lee não ainda contracenava com esquilos imaginários com vozes estridentes.

  4. Ludmila Says:

    saca tudo! eu te contrataria para o Segundo Caderno… 😉
    ótimo post!
    beijo

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